São Paulo – “Por um Brasil sem Racismo, com oportunidades iguais para todos”, será o tema central da Parada Negra 2007, que começou a ser convocada a partir deste sábado, por decisão das lideranças do Movimento Brasil Afirmativo, reunidas no Aristocrata Clube – o mais importante clube negro paulistano, fundado na década de 60 por remanescentes da Frente Negra Brasileira. A Frente foi fechada em 1.937, pela ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas.
No programa da Parada deste ano estará a defesa das Ações Afirmativas e Cotas na Educação, no Trabalho, na Mídia, nos Partidos políticos e no Estado; a defesa da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, do PL 73/99 (PL Cotas) e da PEC 02/2006 (Fundo de Promoção da Igualdade Racial); a criação de Secretarias de Promoção da Igualdade Racial em todos os municípios e no Estado, e uma campanha de nacionalização do Feriado de 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência negra – dedicado à memória de Zumbi dos Palmares. O ponto de partida da Parada será às 12h, no MASP, da Avenida Paulista.
A proposta da manifestação é reunir não apenas a militância negra ligada ou não a partidos e organizações políticas, mas todos os negros do centro e da periferia, e setores anti-racistas da sociedade, marcando o Dia Nacional da Consciência Negra com a maior manifestação anti-racista do país. A data, que este ano cai numa terça-feira, é feriado municipal em São Paulo e em mais 18 cidades do Estado.
Unidade
Na reunião, as lideranças do Movimento Brasil Afirmativo, avaliaram que a primeira edição do evento, que reuniu 20 mil pessoas na Avenida Paulista foi um sucesso. “Durante mais de cinco horas, a Avenida – o maior centro financeiro do país – foi tomado por um mar de gente principalmente negra, mas também não negros simpáticos à nossa Causa. Foi a manifestação com maior cobertura da mídia. Todos os telejornais e principais jornais de São Paulo e do país deram destaque, na primeira página, à manifestação”, disse João Bosco Coelho da Coordenação do Movimento.
Este ano a idéia é procurar artistas e personalidades negras e anti-racistas do meio artístico para que se envolvam na mobilização. Também serão procurados dirigentes sindicais e lideranças negras da CONEN, UNEGRO e MNU, que defendem a idéia de uma Marcha, visando à construção de uma agenda unitária, como ocorreu no passado. “Rejeitamos a divisão. Queremos uma manifestação unitária. Nossa proposta é no sentido da unidade de todos os setores e correntes do Movimento Negro para que, a partir de São Paulo, se dê uma demonstração da força do povo negro e que se exija com toda a força do Estado políticas públicas de reparação aos danos provocados pelo racismo”, afirmou o jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress.
O Pastor evangélico Marco Davi de Oliveira disse que este ano haverá uma presença maior dos negros evangélicos, porque a Parada é uma manifestação dos negros, porém, aberta com uma proposta afirmativa.
Congresso
Na reunião, o Movimento Brasil Afirmativo deliberou aceitar o convite da Comissão Executiva do Congresso de Negros e Negras do Brasil para que passe a integrar a Coordenação Política do Congresso, aberto este ano e com previsão de encerramento em abril do ano que vem, em Salvador.
Para iniciar a convocação e mobilização para a Parada Negra, foi decidida constituição de quatro secretarias secretarias: a de Finanças, sob a coordenação de Emerson Teodoro, a de Comunicação, sob a coordenação do jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress; a de Organização e Mobilização, sob o comando do pastor Marco David e Isaque Alves; e a de Articulação e Contatos, sob o comando de João Bosco Coelho.
A reunião foi encerrada com a apresentação de um filme com a história do Aristocrata e com uma saudação do presidente Mário Ribeiro Costa, que falou da luta para preservar o clube como um patrimônio da história dos negros de São Paulo.
O Movimento Brasil Afirmativo vai discutir com a direção do Aristocrata uma campanha popular para a revitalização do clube, que teve entre os seus incentivadores personalidades como o ex-deputado Adalberto Camargo e o cantor negro Agostinho dos Santos, um dos nomes de maior sucesso da MPB nas décadas de 60 e 70, falecido em desastre aéreo nas imediações do aeroporto de Orly, na França, no dia 12 de julho de 1.973.

Da Redacao