S. Paulo – Começa nesta segunda-feira, 17/10, a partir das 9h no Fórum de Santana, o julgamento pelo 2º Tribunal do Júri, dos policiais militares acusados pelo assassinato do dentista negro Flávio Ferreira Sant’Ana, morto aos 28 anos, no dia 03 de fevereiro de 2.004, na zona Norte de S. Paulo.
Os policiais são o tenente Carlos Alberto de Souza Santos, o cabo Ricardo Arce Rivera e os soldados Luciano José Dias, Edson Assunção e Magno de Almeida Moraes. Todos são acusados de homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de armas, fraude e coação processual. Outros dois PMs que participaram do crime – os soldados Ivanildo Soares da Cruz e Davis Júnior Lourenço – acusados somente de coação processual, serão julgados posteriormente, uma vez que recorreram ao Tribunal de Justiça pleiteando o desmembramento do processo.
Flávio era dentista recém-formado por uma Faculdade particular de Guarulhos, onde conseguiu bolsa. Na madrugada do dia 03 de fevereiro de 2.004, ao voltar do aeroporto de Cumbica, onde fora levar a namorada – a suíça Anita Joos -, próximo a sua casa, na zona norte de S. Paulo, foi abordado pelos policiais que o confundiram com um ladrão. Segundo o hoje Secretário de Justiça, Hédio Silva Jr., que se afastou do caso por ter assumido o cargo, os policiais seguiram o conhecido procedimento de “atire, depois pergunte”. Flávio foi fuzilado à queima roupa com dois tiros e morreu no local.
Alegando atitude suspeita para justificar o assassinato, os policiais afirmaram ter encontrado no bolso do dentista a carteira da vítima de um roubo e construíram a versão de que Flávio teria resistido à prisão.
A versão, contudo, foi derrubada por que a perícia não encontrou vestígios de pólvora nas mãos da vítima. Alguns dias depois do crime, a vítima do assalto revelou ter sido pressionada pelos policiais para identificar o dentista como assaltante.

Da Redacao