Brasília – O processo administrativo disciplinar instaurado pela reitoria da Universidade de Brasília para apurar acusações de racismo contra o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política, prorrogou por mais trinta dias o prazo para conclusão dos trabalhos.
A Comissão nomeada pelo reitor Thimothy Mullolhand já ouviu Kramer e o estudante Gustavo Amora, que o acusa de racismo. Kramer chamou Amora de “negro racista”, “Ku Klux Klan negra” e se referiu à população negra como “crioulada”.
Depois de denunciado, primeiro tentou passar por vítima e ameaçou abrir processo contra os estudantes pedindo indenização de R$ 3 milhões; depois foi a imprensa acompanhado de dois ex-alunos negros que saíram em sua defesa; e por último, tentou ridicularizar a reação anti-racista dos estudantes da UnB à suas atividades, em especial, o estudante que o denunciou.
O caso teve grande repercussão na Universidade – a primeira federal a adotar cotas para estudantes negros e indígenas – e as conclusões do relatório começam a provocar a preocupação do corpo docente da UnB.
O professor Luiz Felipe Miguel da cadeira de Teoria de Teoria Política do Instituto, mostrou-se preocupado com os desdobramentos do episódio e alertou para o perigo de se tentar botar “panos quentes” no caso.
“Minha preocupação é que um evento dessa gravidade – professor com discurso racista ofendendo alunos em sala de aula – deve ser investigado a fundo. É preciso que as punições sejam exemplares para evitar episódios desse tipo. Nós (professores) precisamos nos desarmar do corporativismo para ver que há algo mais sério em jogo: um ambiente acadêmico sem racismo”, concluiu.
Se considerado culpado, Kramer pode ser punido com advertência, suspensão ou até exoneração da Universidade. O resultado do processo administrativo disciplinar deve ser anunciado até o final deste mês.

Da Redacao