Pedro Leopoldo/MG – A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas fará nesta quinta-feira (15/03), às 14h, uma visita técnica ao Quilombo Pimentel, na região metropolitana de Belo Horizonte, para ouvir os moradores ameaçados pelo fazendeiro Lucas Geraldo da Silva, o Luquinha, acusado de pretender expulsá-los da área para ficar com as terras.
O Quilombo existe há mais de 120 anos, segundo a presidente da Associação dos Moradores, Lioniz Aparecida Teixeira Evangelista. Para acompanhar a visita foram convidados representantes da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), da Fundação Palmares, do Incra, do Ministério Público Federal e do Programa de Segurança a Defensores de Direitos Humanos.
De acordo com o deputado Paulo Lamac, do PT, autor do requerimento para a realização da visita, o Quilombo Pimentel “sofre com a falta de infra-estrutura básica”. “Isso deixa a população desamparada e suscetível à exploração e a violência gerada pelas invasões de suas terras por parte de fazendeiros”, afirma o parlamentar.
Ameaças de morte
Em janeiro deste ano, um deles – Lucas Geraldo da Silva, Luquinha – invadiu o gabinete do vereador Vanderlei Dias, do PMDB, para ameaçá-lo de morte. A ameaça foi gravada em vídeo que circulou nas redes sociais e no telejornalismo de grandes redes de TV. (Veja abaixo).
No dia 17 do mês passado (sexta-feira de carnaval), em telefonema para o celular da professora Cláudia Marques de Oliveira, do Programa de Ações Afirmativas da Universidade Federal de Minas Gerais, que apóia as famílias do Pimentel, Luquinha voltou a fazer ameaças, desdenhou da Justiça e garantiu que resolverá o problema “a seu modo”.
“Nossa Justiça é uma Justiça de merda, morosa, demorada. Eu não tenho tempo prá isso. Eu sou um homem que resolvo as coisas a meu modo. Eu não quero amolação nas minhas terras”, afirmou.
Conivência
Lideranças da comunidade acusam a Câmara Municipal de Vereadores de conivência com os fazendeiros. Como prova da omissão e conivência do Legislativo lembram que, após a invasão do gabinete do vereador Vanderlei Dias, Luquinha, juntamente com um grupo de fazendeiros, foi recebido com honrarias em sessão da Câmara.
Enquanto os fazendeiros ocupavam a tribuna, nenhum representante da comunidade quilombola pôde usar a palavra e o vereador continua temendo pela própria vida.

Da Redacao