Brasília – A sessão de torturas com motivação racista, a que foi submetido o funcionário da USP, Januário Alves de Santana, numa sala da loja do Hipermercado Carrefour de Osasco, será discutida em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília.
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A data da Audiência, marcada por iniciativa dos deputados Ivan Valente (foto) e Chico Alencar, ambos do PSOL, ainda não foi definida, o que poderá acontecer nesta quarta-feira (30/09), na reunião semanal da Comissão.
Segundo o deputado Ivan Valente, do PSol de S. Paulo, o caso de Santana, tomado por suspeito, por ser negro, de roubo do seu próprio carro – um EcoSport – e espancado enquanto a mulher, um filho de cinco anos, uma irmã e um cunhado faziam compras, é emblemático.
A violência com conotação racial ocorreu no dia 07 de agosto e ganhou repercussão nacional, ocupando espaço nos principais jornais e telejornais do país. Um inquérito aberto no 9º DP de Osasco investiga o caso.
Paralelamente uma sindicância aberta pelo 14º Batalhão da PM, apura a participação dos policiais que atenderam a ocorrência, que teriam reforçado a suspeita dos seguranças e deixado Santana, já bastante machucado sem socorro, mesmo depois de comprovarem que o carro lhe pertencia e que havia sido brutalmente espancado.
“Crime e sessão de tortura foram cometidos contra um trabalhador, um cidadão negro, que foi classificado como um suspeito em potencial. Não podemos aceitar que isso aconteça. É necessário que a sociedade brasileira discuta, reflita e, principalmente, avance para acabar definitivamente com as práticas de racismo. Por esta razão, tomamos a iniciativa de propor a realização da audiência na Câmara dos Deputados”, afirmou Valente.
Ministro
O ministro chefe da Seppir, que esteve em S. Paulo para prestar solidariedade à vítima será convidado para a Audiência, juntamente, com o próprio Santana e com o presidente da Rede Carrefour, no Brasil.
Para os deputados do PSOL, o crime e a sessão de tortura foram cometidos contra um trabalhador “um cidadão negro, classificado como suspeito em potencial”. Segundo o deputado Chico Alencar, do PSOL do Rio, o que aconteceu com Santana demonstra o racismo e a violência praticada por seguranças terceirizados, com a conivência de membros da Polícia Militar de S. Paulo.
“Vamos pautar a Comissão sobre esse caso para contribuir para elucidação dos fatos e para o banimento definitivo da prática de racismo em nosso país”, concluiu Alencar

Da Redacao