BRINCANDO DE FAZ DE CONTA
A série de debates em questão foi pautada pela gestora da Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena do Estado São Paulo, Sra. Roseli Oliveira e pela Prefeitura de Ribeirão Preto. A mesma cidade cuja prefeita se “esqueceu” de um compromisso de campanha, assinado em público, para a criação de uma Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.
A mesma prefeita que foi acusada de intolerância religiosa e que tem uma Secretária da Cultura que se deleita em praticar pequenos boicotes contra as lideranças negras – legítimas – do município. Isso sem falar na forma displicente com que o poder público municipal tratou (e trata) as políticas de ações afirmativas que já estavam implantadas no município e que hoje são arremedos das conquistas originais.
Recordo-me que a criação da Coordenação estadual em questão foi uma tentativa de eclipsar as declarações lamentáveis do Sr. José Serra em artigo publicado na Folha de São Paulo, em março de 2009, no qual o mesmo chamava de “prática odiosa” as políticas de ações afirmativas resultantes de lutas históricas dos negros brasileiros.
Vale lembrar, ainda, que estes comentários nunca foram respondidos pela Sra. Elisa Lucas, Presidente do Conselho Estadual da Comunidade Negra de São Paulo. Ao calar-se ela pareceu concordar com o, então, governador. O seu conveniente mutismo quis, provavelmente, demonstrar de que lado a professora Elisa estava: junto de quem quer os negros à margem da sociedade.
São estes órgãos e pessoas que querem liderar um processo de discussão acerca de políticas públicas? Ora, fosse uma obra de ficção e eu estaria gargalhando. Como é vida real – e nós negros continuamos sendo tratados como dejetos em uma sociedade racista, excludente e assassina – tenho que me indignar e dizer a estas pessoas: não brinquem com seu próprio povo, a história e suas próprias consciências – um dia – vão cobrar isto de vocês!

Romilson Madeira