S. Paulo – Mais duas comunidades racistas hospedadas no site de relacionamentos Orkut estão sendo denunciadas pela ONG ABC SEM RACISMO ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado de S. Paulo. São elas “Eu Odeio Preto de Querméci (sic)”, que é assumida por um certo Felipe Geraldi e “Eu não pego preta (o)”, cujo autor se esconde no anonimato. As duas comunidades racistas foram criadas, respectivamente, em novembro do ano passado e em julho deste ano . Os endereços são http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3225345;
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=702891
Na primeira o suposto Geraldi diz que a “comunidade é pra quem vai em querméci (sic) se divertir, e sempre tem um preto pra vim caça (sic) confusão”, e ironiza dizendo não ser racista. Na segunda, que tem 27 membros e é ilustrada pela caricatura de um chimpanzé marcado por um “x” o suposto autor se auto descreve: “se vc ñ pega mulé preta, esse e o lugar certo pra vc estar”, diz. Em ambas aparecem as fotos e a descrição dos participantes. Em muitos casos há e-mails e até blogs e flogs – diários na Rede com álbum de fotos.
Dizendo-se ofendido e humilhado ao deparar com as duas comunidades que fazem apologia do racismo – crime considerado inafiançável e imprescritível pela Constituição – o técnico em informática e bacharel em Ciências da Computação da Universidade Ibirapuera, Josué Rogério Cruz, disse que é preciso dar um paradeiro no uso da Internet como espaço para a apologia do crime de intolerância e ódio racial.
“Eu me sinto extremamente desapontado, humilhado e ofendido e muitas vezes chego a perder a esperança de que a situação mude”, afirmou Cruz, que pertence a Comunidade, também do Orkut, “4P – Poder para o Povo Preto”, com 7.615 membros.
Cruz lembrou o fato de que a maioria das fotos que aparecem nessas comunidades são de jovens, quando não de adolescentes. “Quando vejo isso, lembro que alguém lá atrás passou isso pra eles, porque ninguém nasce racista. Eles não nasceram assim, alguém – provavelmente os pais – passaram isso”, acrescentou.
Ele disse que enfrenta, no cotidiano, o problema da discriminação racial e do racismo e contou o constrangimento que enfrenta diariamente, ao passar em frente a uma Escola de classe média alta no Morumbi e encontrar mães que vão buscar os filhos: “Normalmente quando passo as mães estão buscando os filhos e elas ficam me olhando com aquela cara” será que ele vai me assaltar?” E olha que, inclusive pelo meu trabalho, tenho que me vestir adequadamente”, finalizou.
O promotor Christiano Jorge Santos, do GAECO, conduz desde o início do ano as investigações que já identificaram 5 responsáveis por sites e ou mensagens racistas na Internet. Pelo menos um deles – Leonardo Serra – já foi denunciado formalmente por crime de racismo. Diante da rejeição da denúncia pela juíza da 16ª Vara Criminal o MP recorreu e aguarda decisão.
Outro, Marcelo Valle Silveira Mello, estudante da UnB de Brasília teve os computadores e disquetes apreendidos na sua casa na Asa Norte, por decisão da Justiça e agora o MP do Distrito Federal prepara a denúncia por racismo. Mello foi identificado como o autor do ataque a Afropress, responsável pela retirada do site do ar por cerca de 10 dias.

Da Redacao