S. Paulo – Preocupada com o resgate da cultura negra, Michele Fernandes, 29 anos, moradora do bairro do Campo Limpo, S. Paulo, criou há cinco meses, em setembro do ano passado, a Boutique de Krioula – uma loja on line que incentiva o uso dos turbantes pelas mulheres negras. “Nossa página propõe um encontro com a cultura africana e afro-brasileira através do uso do turbante”, conta.

Empolgada com o sucesso de uma página aberta no Facebook, que atingiu 3 mil likes, ela lançou o Concurso Africanidades, uma promoção que visa “elevar a autoestima do negro brasileiro, quebrando o preconceito que existe em torno do uso desse acessório”.

“Queremos promover a autoestima do negro e valorizar a nossa cultura. Pedi que homens e mulheres enviassem para o nosso e-mail, fotos, com o seu turbante preferido em lugares legais. Recebi o total de 41 fotos, todas de mulheres usando turbantes, em lugares diferentes”, relata.

A segunda fase da promoção termina nesta sexta-feira, 1º de fevereiro, quando a dona da foto mais curtida, ganhará um turbante africano. “Algumas candidatas já estão com mais de 500 likes nas fotos”, conta.

Quem quiser conhecer a página e participar da votação deve acessar os links: “É só entrar e curtir as fotos das pessoas”, diz Michelle. http://www.facebook.com/boutiquedekrioula;http://www.facebook.com/media/set/?set=a.521453477877529.112688.462370227119188&type=3

Segundo ela o turbante é um acessório que tem uma história diferente em cada lugar, mas grande parte dos significados está ligada à cultura africana e negra. “As negras estão assumindo mais o cabelo crespo, estão assumindo mais a ancestralidade e a cultura africana”, afirma. Ela confia que neste verão de 2013 o uso do turbante estará no auge, no Brasil. “Quero que nós resgatemos um pouco da nossa cultura perdida. Deixar essa coisa de ter que alisar o cabelo para ser aceita”, finaliza.

Resgate da auto-estima

Pessoas como a professora Márcia Ghalyella, 32 anos (foto ao lado) pedagoga, pós graduada em Orientação e Supervisão Escolar, funcionária pública efetiva das redes municipais de Cubatão e Guarujá. Em Cubatão, ela trabalha há 13 anos, na UME Padre José de Anchieta.

Márcia disse que mandou uma foto com turbante para o Concurso porque esse tipo de iniciativa desperta a auto-estima de crianças e adultos negros. “Esse concurso foi interessante pois despertou a auto-estima das crianças e adultos negros. Elas se viram refletidas na imagem da educadora, no caso eu. Isso não tem preço. Recebi muito carinho. Portanto, nenhuma vitória seria válida diante do valor do afeto recebido das pessoas, elas se viram refletidas na imagem da educadora, no caso eu", acentua.

Márcia, que leciona em Cubatão há 2 anos e em Guarujá há sete, também atua em projetos com crianças de 6 a 14 anos, em que busca resgatar e reconstruir a imagem da criança negra no espaço escolar “área em que atuo diretamente".

“Gosto sempre de lembrar que não somos descendentes de escravos, como dizem os livros escolares. Somos descendentes de civilizações africanas de reinados fortes e poderosos. Somos descendentes de reia e rainhas, príncipes e princesas”, acrescenta, lembrando que trabalha com a Lei 10.639/03 e 11.645/08, que tratam da história da cultura afro-brasileira e indígena no espaço escolar.

Da Redação