Brasília – A Coordenação de Entidades Negras (CONEN), por meio de sua Secretaria Nacional Operativa, rejeita a qualificação da Afropress de que é integrada por militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) “ao qual, indubitavelmente, afirmamos aqui que não nos submetemos”.
“A realidade que se apresenta é de uma unidade na diversidade, onde a questão partidária não se configura em elemento para nossa referencia, o que torna improcedente a afirmativa do Afropress de qualificar-nos ou identificar-nos enquanto organização de militantes do Partido dos Trabalhadores, ao qual indubitavelmente afirmamos aqui que não nos submetemos, sob pena de estarmos ferindo nossa condição de independência e autonomia, princípios e valores esses inegociáveis, não importando se naturalmente a presença nas fileiras das nossas entidades filiadas tem maioria ou minoria de qualquer dos partidos políticos da sociedade brasileira”, afirma a Nota assinada por Gilberto Leal, um dos dirigentes da Coordenação.
Leal acrescenta que a CONEN se constitui em uma articulação com 19 anos de fundada, apartidária, composta por 300 organizações filiadas nos diversos Estados “cuja base de filiação é definida e identificada pelos nomes e atuação das suas entidades e não de indivíduos, cujas opções de orientação partidária ficam a critério de cada membro filiado a estas entidades de base.”
Com relação ao Estatuto, a Nota afirma que a posição foi tornada pública em declaração sobre o assunto. Na declaração, postada em Afropress, a CONEN se manifesta contrária ao parecer do senador Demóstenes Torres. Após a votação, contudo, e, em especial, depois do movimento que pede o veto do projeto ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não houve manifestação a respeito.
Veja, na íntegra, a Nota da CONEN
À Redação da Afropress
Prezados Senhores e Senhoras,
A Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN, vem através desta, esclarecer os equívocos nas informações políticas sobre o conjunto de organizações filiadas à nossa articulação/rede, constantes em matéria deste órgão de imprensa, datada do dia 22 de junho de 2010, sob o titulo, “ACORDO QUE APROVOU ESTATUTO TEVE A MÃO E AJUDA DO PLANALTO”, ao tempo em que solicitamos que as devidas correções sejam publicadas para conhecimento dos leitores.
O TRECHO DA MATERIA:
Há uma outra evidência que confirmam o apurado por Afropress. As entidades que são a base do Governo no Movimento Negro, como a CONEN, formada por ativistas e lideranças negras do PT, e a UNEGRO, a entidade que reúne os militantes negros do PC do B, bem como as lideranças que fizeram campanha pela retirada do projeto, uma vez aprovado o Estatuto, recolheram-se. ”
1º SOBRE A INDEPENDÊNCIA, AUTONOMIA E COMPOSIÇÃO DA CONEN
Informamos que a Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN, se constitui em uma articulação com 19 anos de fundada, apartidária, composta por 300 organizações filiadas nos diversos estados, cuja base de filiação é definida e identificada pelos nomes e atuação das suas entidades e não de indivíduos, cujas opções de orientação partidária ficam a critério de cada membro filiado a estas entidades de base.
Conseqüentemente a realidade que se apresenta é de uma unidade na diversidade, onde a questão partidária não se configura em elemento para nossa referencia, o que torna improcedente a afirmativa do Afropress de qualificar-nos ou identificar- nos enquanto organização de militantes do partido dos trabalhadores, ao qual indubitavelmente afirmamos aqui que não nos submetemos, sob pena de estarmos ferindo nossa condição de independência e autonomia, princípios e valores esses inegociáveis, não importando se naturalmente a presença nas fileiras das nossas entidades filiadas tem maioria ou minoria de qualquer dos partidos políticos da sociedade brasileira.
No que se refere ao trecho da matéria onde somos enquadrados enquanto base do governo no contexto do Movimento Negro, afirmamos para este órgão que os elementos apresentados acima para os partidos políticos valem também para os governos, conscientes que somos do nosso papel de atores e atrizes políticos compromissados( as) em debater todos os temas relacionados às necessidades humanas, construindo proposições as quais, poderão ser concordantes ou discordantes com as políticas dos governos dispostos inclusive a enfrentar as conseqüências advindas das nossas ações, pois alem da consciência crítica de que somos possuidores( as), o que nos orienta são as deliberações eleitas em nossos debates de base, elementos fundamentais na consolidação do nosso alicerce político, que não se curva ou se rende a qualquer poder opressor instalado nas estruturas de governo ou na sociedade civil, conseqüentemente impeditivos da trajetória histórica do povo negro e dos demais oprimidos na luta por uma sociedade justa.
2º NOSSA POSIÇÃO SOBRE O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL
Sobre este assunto afirmamos que desde a data 15 de junho de 2010 tornamos publico documento contendo nossa declaração sobre o assunto, o qual aqui anexamos para conhecimento e publicação deste organismo de imprensa.
Na certeza de termos esclarecido as duvidas e do compromisso do Afropress com a verdade,
Atenciosamente,
Gilberto leal
Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
Secretaria Operativa Nacional
Nota da Redação
A Afropress reitera que a maioria esmagadora dos dirigentes e quadros da CONEN são ligados ou próximos ao Partido dos Trabalhadores (PT), o que não significa, necessariamente, atrelamento às posições políticas e ou de Governo.
Com exceção do Estatuto da Igualdade Racial, em que a entidade se posicionou publicamente contrária ao parecer do senador Demóstenes Torres (veja matéria “Organização negra ligada ao PT desaprova acordo da SEPPIR”, postada em 15/6/2010) – a CONEN, ao menos que se saiba, publicamente sempre se alinhou com as posições do Partido e ou do Governo, o que é natural, em face das afinidades políticas e ideológicas.
Ser ligado ao Partido ou ao Governo não é acusação, mas sim, constatação. Mesmo porque, não consideramos que ser filiado, próximo ou ligado ao Partido dos Trabalhadores e ao Governo do PT seja desonroso, e temos certeza que este – o sentimento de honra e não desonra – é o da maioria dos ativistas e dirigentes da CONEN.
Na prática, a menção serve para o entendimento das posições assumidas em relação aos temas em debate.

Da Redacao