São Paulo – Quem imagina que nosso intercâmbio cultural com a África está restrito a batucada e aos rituais religiosos terá uma grata surpresa ao assistir ao espetáculo “Milágrimas”, que estreou quinta-feira, 24 de novembro, no teatro do Sesc Pinheiros, Rua Paes Leme, 195, zona Oeste de São Paulo.O coreógrafo Ivaldo Bertazzo, com o apoio do SESC realizou uma meticulosa pesquisa e encontrou na África do Sul, em uma das mais originais manifestações culturais africanas – a Isicathamiya – confluências e conexões com os sambas de Caymmi, D. Ivone Lara e com a música urbana contemporânea de Itamar Assumpção. A partir desse encontro foi criada a coreografia de “Milágrimas”.
Depois de dirigir, em 2004, espetáculo Samwaad – Rua do Encontro, que aproximou o Brasil da Índia, Ivaldo buscou um novo desafio: criar trânsito musical original entre África e Brasil, que fugisse dos estereótipos e clichês das batucadas e percussões. “São duas culturas maravilhosas, ricas e diversas, onde a dança e a música se completam de forma harmoniosa e delicada”, destaca Ivaldo. Definida a linha de abordagem, Bertazzo levou o projeto para apreciação do SESC. “O SESC São Paulo nos dá total apoio, seja em estrutura física, seja em apoio ao jovem no trânsito cultural, social e educacional. Somos parceiros no Projeto como um todo. Quando fomos apresentar “Milágrimas” à direção tivemos um apoio imediato. Esse tipo de atitude do SESC e dos nossos patrocinadores nos deixa muito seguros. Sem essa ajuda não conseguiríamos levar ao público um espetáculo dessa magnitude”, destaca Ivaldo Bertazzo.
Milágrimas
O coreógrafo lembra que seu objetivo ao idealizar “Milágrimas” – o segundo espetáculo com o grupo Dança Comunidade – era criar uma ponte, que servisse para estabelecer um diálogo entre as duas culturas. Definida a proposta, partiu-se em busca de um grupo sul-africano, que executasse na forma original a Isicathamiya e tivesse disponibilidade para ensinar, aos dançarinos do grupo, os passos e músicas sul-africanas – em Milágrimas há duas coreografias baseadas em danças africanas.
Para a direção musical foram convidados Arthur Nestrovski e Benjamim Taubkin, que reuniram um time músicos altamente qualificados. Sapopemba, Anelis Assumpção, Dimos Goudaroulis, Teco Cardoso, Ari Colares, Zeca Assumpção, Sérgio Reze e Sacha Amback completam o grupo que, ao lado do Kholwa Brothers (Zibonele Derrick Mlambo, Mandlenkosi Francis Mlambo, Bonokwakhe Robert Mbabo, Mqoqeni Mike Mbabo) são os responsáveis pela trilha sonora desse passeio musical por São Paulo, Rio, Salvador e Durban.
Projeto Dança Comunidade
Em maio de 2003, o SESC São Paulo e Ivaldo Bertazzo, em parceria com sete Organizações Não-Governamentais da periferia paulistana, iniciaram o projeto Dança Comunidade, que conta com o apoio de uma equipe de profissionais especializados e com uma estrutura de apoio que inclui atendimento médico e psicológico, alimentação balanceada, transporte e bolsa de estudo. Tudo visando ampliar as possibilidades dos jovens, tanto do ponto de vista pessoal e intelectual, quanto de sua futura profissionalização.
Hoje o Dança Comunidade é formado por 41 jovens, com idades de 14 a 29 anos, que fazem uma residência no Sesc Pompéia, envolvidos 32 horas por semana em várias atividades. Cursos de reeducação do movimento e coordenação motora, complementados com aulas de canto, percussão, ritmo, lingüística, saúde e história da dança.
PROJETO DANÇA COMUNIDADE é uma realização do SESC São Paulo e conta com o patrocínio do BNDES, Bombril e Petrobras e com o co-patrocínio do Instituto Votorantim e tem o apoio cultural do Consórcio Primo Rossi e do Ministério da Cultura – Lei de Incentivo à Cultura.
Angelo Raposo – A.R. Comunicação Corporativa