São Paulo – O líder negro Milton Barbosa, Miltão, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU), disse que a realização da sessão de abertura do Congresso dos Negros e Negras do Brasil, em Belo Horizonte, no último fim de semana, botou por terra a pretensão de quem apostava no esvaziamento. “Algumas entidades apostavam no esvaziamento e hoje passaram a participar do processo”, afirmou.
A sessão de abertura demonstrou a absoluta hegemonia de três organizações do Movimento Negro – o próprio MNU, a UNEGRO, articulação dos militantes do PC do B, e a CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras – composta por lideranças próximas a base do PT e ao Governo Lula.
Miltão disse que a participação de cerca de 300 delegados de quase todos os Estados do Brasil, a aprovação de um regimento interno e de um temário que incluiu a construção do projeto político do povo negro e reparações, foram um passo importante.
Além das quatro Assembléias, que serão realizadas até abril do próximo ano, em diferentes capitais do país, a Assembléia de Belo Horizonte tomou uma decisão que desagradou às mulheres presentes: ao invés de Negros e Negras, a denominação oficial será “Congresso Nacional de Negros do Brasil”.
Milton Barbosa também falou sobre um outro ponto polêmico que é a captação de recursos para custear as despesas do Congresso. “Para nós, os recursos para o Congresso são reparação”.
A Coordenação Política do Congresso h avia anteriormente indicado um orçamento de R$ 3,3 milhões, a serem captados junto às estatais, com a intermediação do Ministro chefe da Casa Civil, Luiz Dulci, empresas privadas e fundações internacionais. A divulgação do orçamento e que a captação teria a intermediação do Governo desagradou a alguns setores, que preferiam manter a informação sob sigilo.

Da Redacao