Brasília – O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B/SP) e do Senado Renan Calheiros, receberam nesta terça-feira, o Manifesto assinado por 425 intelectuais pró-ações afirmativas no país, pedindo a aprovação dos projetos do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99. Os dois projetos adotam cotas para negros e indígenas e estão provocando a reação de intelectuais brancos contrários às cotas.
O documento é assinado ainda por 157 estudantes de graduação e pós-graduação, favoráveis às políticas de ação afirmativa. O líder máximo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos que, na semana passada posicionou-se contra qualquer manifestação em resposta à ofensiva dos intelectuais contrários as cotas, mudou de posição e assumiu a direção das articulações que resultaram na entrega do Manifesto.
“O importante é que nosso manifesto foi assinado por maioria de pessoas não-negras (50% mais 1) que apóiam o movimento negro”, disse.
Na semana passada um grupo de 114 pessoas entregou também a Calheiros e a Rebelo manifesto contrário ao Estatuto da Igualdade Racial e ao projeto de cotas. Os dois principais articuladores do documento foram os professores Peter Fry e Ivone Maggie, porém, parlamentares do PT, sindicalistas ligados ao Partido e até lideranças do autodenominado Movimento Negro Socialista, assinaram o documento.”O princípio da igualdade política e jurídica dos cidadãos é um fundamento essencial da República e um dos alicerces sobre o qual repousa a Constituição brasileira”, assinalaram os autores.
Segundo Frei David o debate em torno do tema “serve para mostrar à sociedade brasileira como o povo negro foi discriminado pela colonização e agora, pela neocolonização de intelectuais que se dizem contrários”. Eles que chegaram aonde chegaram por força do ensino público”, acrescentou”.Esperávamos a reação há tempos. Não dá para avançar nos ideais negros sem depurar as idéias racistas”. Frei David confessou que há 20 anos era contra o debate das cotas e agora acredita que os que são contrários vão se converter.
Os presidentes do Senado e da Câmara tem posições distintas sobre o assunto: Calheiros é a favor e Rebelo é contra. “Já aprovamos no Senado o Estatuto da Igualdade Racial. Também vamos votar o sistema de cotas”, disse Calheiros, que não quer atrito com o movimento negro.
Aldo Rebelo defende o que denomina de “cotas sociais” “, alegando ser a favor de uma idéia mais universalista, que não leva em conta a característica da pessoa mais do grupo social a que pertence”.

Da Redacao