Rio – Reunidos numa Assembléia Nacional neste final de semana no Rio, cerca de 200 delegados indicados por plenárias do Movimento Negro de todo o país, deliberaram, em discussões que começaram no sábado e continuaram no domingo com a sistematização do documento aprovado, realizar o II Congresso de Negros e Negras do Brasil, que será aberto em 21 de março deste ano e encerrado um ano depois – em 21 de março de 2.008.
A data é emblemática pois foi instituída pela ONU como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, para lembrar o massacre de Sharpeville, em 1.961, no qual negros sul-africanos foram mortos pelo regime do apartheid, controlado pela minoria branca.
Assembléia, realizada no Instituto de Ação Social, também decidiu pela escolha de uma Coordenação Nacional com 14 entidades nacionais e dois representantes por Estado. O Movimento Brasil Afirmativo, que participou do encontro por meio dos ativistas Emerson Teodoro e Inês da Silveira – os dois delegados eleitos na Plenária de S. Paulo da semana passada – integra a Coordenação Nacional.
Os debates foram intensos, com discussões que abordaram temas como reparações, o mito da democracia racial, a conjuntura do país e o movimento negro.
Um dos pontos mais polêmicos da Assembléia foi precisamente o nome do Congresso. A Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), articulação de entidades mais próximas ao PT e a Unegro, que reúne os militantes do PC do B, defendiam a realização de um Congresso de Entidades.
A decisão aprovada, porém, proposta pelo Movimento Negro Unificado contempla o critério da representatividade, que vai além da participação em entidades como condição para a tirada de delegados, posição também defendida no documento apresentado pelo Movimento Brasil Afirmativo “A superação da desigualdade racial e os desafios para um Brasil Afirmativo”.
Uma outra proposta constante no documento e que foi aprovada foi a duração do Congresso que começa em 21 de março e termina na mesma data em março do ano que vem. Neste período serão realizados debates e plenários nos municípios, regiões e Estados de todo o país. O Movimento Negro Unificado defendia a realização do Congresso ainda este ano, enquanto a CONEN o propunha para julho de 2.008, precisamente quando o MNU completa 30 anos de sua fundação.
Segundo Emerson Teodoro e Inês da Silveira, a participação na Assembléia do Rio foi muito importante. “Conseguimos nos colocar e nos mostrar como um movimento com idéias e proposições, prontos para dialogar com todos os movimentos e com ações que
contribuem para a evolução dos direitos sociais da População Negra”, afirmaram.
O Movimento Brasil Afirmativo se apresentou na plenária como uma nova articulação do movimento negro, de pensamento plural, com intensas atividades ao longo de 2.006 e com ações de repercussão nacional, como a Parada Negra, que reuniu 20 mil pessoas na Paulista no dia 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.

Da Redacao