Concordo com a exposição objetiva e esclarecedora do jornalista Dojival Vieira, em seu artigo "A constatação inevitável: continuamos na mesma". Ao lê-lo, decidi fazer algumas considerações, que considero importantes, por viver e trabalhar nesse país. Na prática, os avanços quanto à justiça social, ainda são diminutos quando nos deparamos com pesquisas, a exemplo do IBGE que registram dados estatísticos acerca do negro brasileiro no mercado de trabalho. O mito da democracia racial encobriu, durante muito tempo, a dura realidade da população afrodescendente em nosso país.

Quando o príncipe regente dom João chegou ao Rio de Janeiro, em 1808, após a invasão francesa, em Portugal, a proporção era de 10 negros para um branco. Efetivada a nossa independência (1822), por dom Pedro I, o Brasil era um país constituído por 90% de analfabetos.

Quem não fosse proprietário e não tivesse uma renda era alijado da participação política e não podia votar, conforme a nossa primeira Constituição outorgada por dom Pedro I, em 1824. Era o voto censitário!  No ano anterior, nosso imperador já havia fechado a Assembleia Constituinte.   

Embora a população vivesse num país independente, a condição de cidadão brasileiro ficou restrita a uma elite socioeconômica. Esta herança, de privilégios e nepotismos, infelizmente, desde o período colonial, sempre excluiu e explorou as camadas mais pobres nesse país. Muitos dirão: é um discurso marxista. Não! Isso é fato comprovado. Uma breve análise ratifica o que afirmo. 

Há um cancro social, ao longo da história brasileira, que se recicla e cria mecanismos de controle do poder, muitas vezes, dizendo-se representante dos menos favorecidos na pirâmide social. É uma falácia! São verdadeiros camaleões que se adaptam e ajustam-se de acordo com os seus interesses pessoais e escusos. Quando ocorre algo para beneficiar essa grande massa de excluídos, apresenta-se na forma de um populismo que, na realidade, oculta interesses politiqueiros e oligárquicos.

Nosso país está doente. A cura perpassa pela ética e por um real sentimento de brasilidade, respeitando a labuta "sol a sol” de milhões de brasileiros na árdua luta pela sobrevivência. Parabéns, amigo Dojival, pelo desabafo coerente e oportuno nesse artigo. As palavras, que devem nortear a Semana da Consciência Negra de 2015 devem ser: consciência, reflexão, ação e menos purpurina! 

Honremos Zumbi e tantos outros que lutaram e morreram pela causa social, desafiando interesses e privilégios de casta perpetuados desde  1500….

 

Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite