Grandes diferenças sociais teimam em pairar sobre a vida dos negros e negras brasileiras. Se não bastassem os exemplos concretos e visíveis pelas ruas, estudos consistentes traduzem essas diferenças. Semana passada, por exemplo, o Dieese divulgou pesquisa que aponta diferenças imensas de escolaridade e de emprego entre negros e brancos.
Essas diferenças são uma chaga que precisa ser lembrada até que alcancemos sua superação.
Porque a tomada de consciência de que esse é um problema de todos é indispensável para que a luta ganhe mais poder e avance. E, especialmente, que os avanços que vão sendo construídos ponham abaixo a ignorância que permeia enormes parcelas do senso comum – germe da discriminação e do atraso.
Se um avanço, como o estabelecimento de cotas em universidades federais, continua sob ataque de argumentos rasos (“cada um que mostre sua capacidade individual” é um dos mais freqüentes) há uma lacuna imensa, que nos prende ao passado escravocrata no plano simbólico de forma até mais regressiva do que no plano do real, já cruel por demais.
Daí a importância de que exista o Dia Nacional da Consciência Negra e de que a data transcenda o aspecto de um simples feriado, como pausa para uma reflexão coletiva sobre a condição dos negros e negras no Brasil e no mundo. Não sonhamos com unanimidade nem cremos na harmonia piegas. O que queremos é o fim do preconceito velado, que finge aceitar uma data como o Dia da Consciência Negra mas que dela faz troça à boca pequena.
A abordagem séria do preconceito racial no Brasil deve apresentar dados sólidos para uma reflexão continuada, de modo que as conclusões da sociedade a respeito do assunto sejam fruto de autocrítica corajosa, e que releguem a um espaço diminuto aqueles que, a despeito dos fatos, decidirem insistir em teorias medievais.
A CUT tem se pautado pela igualdade de direitos e oportunidades em todas as suas ações e campanhas. Revitalizamos nossa Coordenação Nacional contra a Discriminação Racial, atualmente em pleno funcionamento na sede nacional da CUT, e conclamamos todas as entidades filiadas a ampliarem o debate em suas bases, através de reuniões, assembléias e seus veículos de comunicação.
Viva o Dia da Consciência Negra. Viva Zumbi dos Palmares, em todas as cidades do Brasil.

Marcos Benedito e Artur Henrique