S. Paulo – Antes mesmo da posse, a nova composição do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de S. Paulo – colegiado composto por representantes da sociedade civil e do Governo do Estado – poderá ser questionada na Justiça.
O coordenador geral dos Agentes Pastorais Negros (APN`s), jornalista Nuno Coelho – que teve seu nome preterido pela Comissão Eleitoral – disse que entrará na Justiça questionando a escolha dos 22 membros para representar a sociedade civil.
“Eu não achei um processo muito legítimo, não. A Comissão foi muito fechada, sem transparência nenhuma. Foram legitimadas pessoas que não tem nenhuma condição de serem chamadas de conselheiras do Estado. A Comissão legitimou nomes sem avaliação prévia. Outros nomes de importância ficaram de fora”, afirmou Coelho.
Centralização
Segundo ele, a responsável pelo processo de centralização é a presidente que está deixando o cargo, professora Elisa Lucas Rodrigues. “Mesmo sem participar da Comissão, ela atuou fortemente nos bastidores”, acrescentou.
Afropress tentou, sem sucesso, falar com Elisa por meio do seu celular, porém, ela não atendeu as ligações.
A Comissão Eleitoral que elegeu os 22 membros do Conselho para um mandato de quatro anos, foi composto por cinco membros – o ex-subprefeito da Cidade Tiradentes, Arthur Xavier, Antonio Carlos Malachias (Billy), Ângela Cristina da Silva e Maura Rosa de Paula Paz, e o coordenador de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria de Justiça, advogado Antonio Carlos Arruda – todos, simpatizantes ou filiados ao PSDB.
Critérios obscuros
Arruda, contudo, não participou da reunião que escolheu os novos conselheiros, o que reduziu a quatro o número de eleitores encarregados de escolher, pela análise de currículos, entre outros critérios definidos pela atual presidente, 22, entre os cerca de 60 inscritos.
“A política de igualdade racial no Estado de S. Paulo precisa ser levada à sério. As forças do Movimento Negro presentes em S. Paulo precisam se unir num grande fórum para que agente tenha condições de atuar na política da igualdade racial. Se nós não nos organizarmos rapidamente vamos continuar perdendo espaços políticos de intervenção”, finaliza Coelho.

Da Redacao