S. Paulo – Depois de concordar em conceder uma entrevista, a ministra chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), socióloga Luiza Bairros, optou por impor um monólogo e, mesmo admitindo não entender do tema, (“não sou especialista”) tentou dar lições de jornalismo ao repórter de Afropress recusando-se a responder perguntas.
A reação da ministra aconteceu quando o editor, jornalista Dojival Vieira, pediu que ela comentasse a possibilidade de junção das três Secretarias (Mulheres, Direitos Humanos e Igualdade Racial) num único Ministério, o Ministério de Direitos Humanos, mudança que estaria sendo cogitada pela Presidente Dilma Rousseff.
Luiza Bairros estava acompanhada do Secretário executivo, Mário Lisbôa Theodoro e da assessora de Comunicação, Juci Machado. A conversa, que demorou exatos 9m28, foi gravada pela assessora. A ministra tomou iniciativa de ditar respostas as matérias de Afropress que a teriam desagradado, cortando a possibilidade de perguntas.
Monólogo
“Então, eu li a sua matéria, que foi repercutida pelo Áfricas [Portal Áfricas]. Fiquei bastante preocupada com a forma com que aquela abordagem foi feita. Em função disso, inclusive, que nesse momento não estou me sentindo muito à vontade prá, tipo sentar com você, conversar etc”, afirmou, dando início ao monólogo.
Mesmo assim, continuou: “Então, minha expectativa, do ponto de vista do caso do Afropress que, enquanto Imprensa Negra, é que o Afropress tivesse a possibilidade de situar um pouco o que significa isso e, em cima disso, é… como é que eu digo? basear, criar bases mais sólidas para estabelecer uma crítica que aquele jornalismo demonstrado ali não foi capaz de fazer. Afropress tem essas condições, né? As informações, o acompanhamento do que é essa agenda da igualdade racial, portanto, tem condições de fazer daquilo ali algo que contribua, digamos assim, para a reflexão das pessoas e não apenas fortaleça um processo de desqualificação nosso. Ponto”, acrescentou, antecipando o encerramento da conversa.
Diante da pergunta sobre se o tema prejudicaria a SEPPIR e a atuação da Secretaria, Luiza Bairros bruscamente respondeu: “Deu prá mim, querido”, e encerrou a entrevista, dirigindo-se a saída da sala.
Mudanças
O possível fim da SEPPIR com status de ministério foi um dos temas constantes da exposição da professora Edna Roland, na mesa para discutir os 10 anos pós-Conferência de Durban, durante a reunião preparatória do Movimento Negro para o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, que acontecerá em Salvador nos dias 16, 17, 18 e 19 de novembro.
Roland fez a defesa da manutenção da SEPPIR, porém, pediu diálogo da ministra com os movimentos sociais, vocalizando a insatisfação de setores expressivos do movimento negro com o estilo considerado fechado e avesso a gestão política da ministra.
A mesa da reunião, iniciada ontem, sábado (15/10) e continua neste domingo no Centro de Convenções Israel Pinheiro, Lago Sul, em Brasília, teve a participação do secretário executivo, Mário Theodoro e da ex-ministra Matilde Ribeiro.
Foi a primeira vez que a ex-ministra participou de uma mesa de debates promovida pela SEPPIR, desde que deixou o cargo em 2.008.

Da Redacao