Brasília – Contrariando declarações feitas pela ministra Nilma Lino Gomes, em abril deste ano, de que o ajuste fiscal não colocaria em risco a existência da SEPPIR, a presidente Dilma Rousseff deve anunciar nos próximos dias que a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial será reduzida a uma Diretoria, um Departamento ou uma Coordenadoria da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. A medida faz parte do pacote em que o Governo formalizará a extinção de 10 dos 39 ministérios até setembro.

A medida, que contraria o discurso de campanha de Dilma, será adotada por conta do agravamento da crise política e como parte do esforço desesperado para salvar o Governo diante da ameaça de “impeachment”. A decisão foi antecipada por ordem de Dilma nesta segunda-feira, pelo ministro do planejamento Nelson Barbosa.

Dito pelo não dito

Em abril deste ano, a ministra da SEPPIR Nilma Lino Gomes garantiu que as políticas do arrocho fiscal não iriam prejudicar as políticas de igualdade racial. "A presidenta Dilma tem dito seguidamente que o ajuste fiscal não atingirá as políticas sociais. Eu acredito na palavra da presidenta e por isto afirma que as políticas da SEPPIR continuarão", disse.

Na ocasião, Nilma também negou que boatos correntes na Esplanada sobre a extinção da SEPPIR: "Não há nenhuma sinalização no governo a respeito disto, são apenas boatos vindos de posições expressas no Congresso Nacional, mas isto não tem impactado no Executivo", garantiu a chefe da SEPPIR

Cortes

Segundo a proposta também serão cortados cerca de mil cargos dos 22 mil comissionados. Além da SEPPIR, a Secretaria da Mulher também deverá passar para a Secretaria de Direitos Humanos.

A extinção da SEPPIR é cogitada desde o primeiro governo Lula e contraria a posição do PT, que defende que Dilma faça gestos para contemplar a esquerda.

 

Da Redacao