S. Paulo – O Coordenador Geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), Edson França, disse que a entidade permanece acompanhando as discussões do Congresso de Negros e Negras do Brasil (CONNEB), porém, defende uma mudança completa de rumos, em relação ao que havia sido inicialmente proposto, ou seja, que o principal objetivo do Congresso deva ser definir um projeto político do Povo Negro para o Brasil.
“Aquele rumo inicial tem de ser mudado. A prioridade não é essa. Não há espaço político para essa discussão. Não temos unidade política, nem ideológica, nem acúmulo teórico para travar a discussão nesses termos. Esse é mais um idealismo do MNU. Nós acabamos entrando e estamos arrependidos de termos entrado”, afirmou França, ao comentar as discussões travadas no âmbito do CONNEB.
O projeto do Congresso, inicialmente assumido pelas três correntes majoritárias do Movimento Negro – a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), formada por ativistas filiados ou próximos ao PT; a UNEGRO, composta por lideranças filiadas ou próximas ao PC do B; e pelo Movimento Negro Unificado (MNU), presente nos vários partidos e com lideranças sem ligação com partidos – passou a enfrentar problemas, inclusive, para cumprir a agenda inicialmente definida por conta de divergências a respeito dos seus objetivos.
A mais recente Assembléia do CONNEB aconteceu na semana passada em Porto Alegre, porém, não se conhece até o momento quais as deliberações aprovadas.
Lideranças da UNEGRO e da CONEN se queixam da postura adotada, em especial, pelo MNU, que estaria defendendo posições, que tem levado ao isolamento no Movimento Negro, ao insistir, por exemplo, em colocar na agenda a prioridade da discussão de um projeto do povo negro para o Brasil, e ao dar as costas a agenda da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, convocada pelo Governo Federal, por meio da Seppir.
Segundo o coordenador geral da UNEGRO, a prioridade do Movimento Negro Brasileiro é a discussão e a colocação em prática de um Plano de Lutas, que unifique os vários setores, por exemplo, na defesa da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial pelo Congresso.

Da Redacao