S. Paulo – A Coordenadoria de Políticas para as Populações Negra e Indígena do Governo de S. Paulo, promoveu nessa sexta-feira (20/05), sensibilização sobre temas relacionados ao racismo e a desigualdade racial para 700 novos profissionais, em especial investigadores e escrivães de Polícia. A iniciativa foi da Coordenadoria com o Centro de Direitos Humanos e Segurança Pública Celso Vilhena Vieira, da Polícia Civil de S. Paulo.

A sensibilização ficou a cargo da coordenadora, professora Elisa Lucas Rodrigues, e aconteceu na Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra" (Acadepol), que é responsável pelo recrutamento e treinamento de novos policiais civis e aperfeiçoamento dos servidores na ativa. As questões raciais agora fazem parte da grade do curso de formação e capacitação profissional.

Segundo Elisa Lucas, a sensibilização dos novos policiais é de extrema importância e abre espaço na Academia para a população negra e indígena, além de possibilitar a abertura de um diálogo sobre as questões raciais e a discussão das ações afirmativas promovidas pelo Governo de S. Paulo.

“Essa parceria é prioridade no nosso trabalho, responde a vários questionamentos da comunidade negra e nos possibilita a divulgação da Lei 14.187/10, que pune administrativamente a discriminação por raça ou cor. Nós estamos plantando uma semente para que exista uma relação melhor entre os policiais e a população negra”, afirmou a Coordenadora.

O trabalho de sensibilização em parceria com o CPPNI começou há dois anos com os policiais da ativa. Foram realizados seminários sobre o tema na capital e nas regionais espalhadas, no interior do Estado, que reuniram cerca de 4 mil pessoas, entre policiais, guardas municipais, estudantes de direito e comunidade.

Para o delegado Luis Fernando Camargo da Cunha Lima, professora da Academia de Polícia e coordenador do Centro de Direitos Humanos e Segurança Pública Celso Vilhena Vieira, o tema da desigualdade racial é tratado com naturalidade e faz parte da discussão.

“Com base em casos reais é possível normatizar uma conduta e criar procedimentos padrões. Como a inclusão do tema na grade do curso de formação, queremos atingir toda corporação na porta de entrada. Esses policiais serão os que mais terão contato com a população, já que devem trabalhar no mínimo três anos, internamente, antes de saírem para as ruas”, explica.

Durante a sensibilização foram tratados temas como intolerância com as religiões de matriz africana, formas de enfrentamento, legislação, Delegacia especializada, crimes raciais, crime de integridade e Lei Complementar 12.59/2015, que instituiu a pontuação diferenciada para pretos, pardos e indígenas em concursos públicos.

Da Redacao