Vitória – O cabo da Polícia Militar capixaba, Edson Rosa, sentiu na pele o que significa ser negro em um país que ainda não se livrou da herança da escravidão: ele foi tomado por suspeito de roubo por seguranças do supermercado OK da Avenida Nossa Senhora da Penha, em Vitória, conduzido até o banheiro e obrigado a tirar a roupa, para provar que não havia furtado duas garrafas de vinho.

“Só porque sou negro e ando às vezes de chinelo, me confundiram com ladrão”, disse chorando ao G1, do Espírito Santo, e a TV Gazeta de Vitória, o cabo da PM. O caso aconteceu na última terça-feira (18/02).

Com o comprovante do pagamento dos produtos, o cabo chamou a Polícia e os seguranças foram encaminhados ao Departamento de Polícia Judiciária do Espírito Santo e liberados.

Suspeito-padrão

Rosa é cabo da PM há 21 anos, e estuda Direito. De folga do trabalho – portanto, sem a farda – ele entrou de chinelo, bermuda e camiseta no hipermercado com a idéia de comprar duas garrafas de vinho para passar a noite na casa da namorada.

Mesmo com a Nota Fiscal provando que havia pago R$ 75,00 pelo vinho, ele foi seguido pelos seguranças que aproveitaram sua ida ao banheiro para pedir que tirasse a roupa para ser revistado. “Me perguntaram: o senhor pagou esse vinho? Eu disse que sim e que tinha a nota. Mandou eu tirar a roupa e me fez despir dentro do banheiro, uma coisa muito constrangedora. É uma situação difícil, eu queria morrer a passar por isso. Sempre trabalhei e estudei. É como se eu tivesse tomado uma punhalada nas costas”, contou o policial militar.

Ele não tem dúvida de que foi vítima de racismo. “É o preconceito racial e social que cresce num país democrático de direito que a gente sofre diuturnamente”, desabafou.

O policial procurou a Associação de Cabos e Soldados que decidiu entrar na Justiça pedindo a punição ao supermercado e aos seguranças. “As pessoas têm que parar de julgar os outros pela aparência, têm que aprender um pouco mais a respeitar o ser humano, independente da cor da pele ou roupa que ele está usando. Se alguém chega lá de terno e gravata é tratado de uma forma, se chega com camiseta e uma sandalinha é tratado de outra. Acho que é o momento de refletir sobre isso, respeitar as pessoas independente da sua aparência, condição social ou cor da pele”, afirmou Flávio Gava, presidente da Associação (na foto à esquerda).

 

 

 

 

Da Redacao