Crescendo colhendo algodão e fazendo trabalhos domésticos no segregado Estado do Alabama, em uma família pobre, mas determinada a ascender socialmente, Coretta Scott King jamais imaginaria que sua vida estaria ligada aos grandes acontecimentos que começaram no Sul dos EUA com um boicote a uma companhia de Ônibus local pelos seus usuários negros, até a culminação da assinatura da lei em defesa dos direitos civis, assinada em 1965 pelo então presidente Lyndon B. Johnson.
É verdade que, depois de seu casamento com o pastor King e o nascimento de seus 4 filhos, seu papel no movimento ficou bastante reduzido. Entretanto, ela era o que poderíamos chamar de um porto seguro para seu marido que vivia sob constante ameaça de morte, sob vigia do FBI, vigia da policia, e ainda tentando manter sua organização centrada na luta contra a segregação e o racismo nos EUA.
Percebendo que seria uma tarefa difícil nivelar a oratória e o carisma de seu marido após sua morte ela, aos poucos, encontrou seu estilo e sua agenda para continuar defendendo os mesmos ideais que seu falecido marido defendia.
Podemos dizer que o legado mais importante que ela deixou foi o estabelecimento pelo Governo Federal de um feriado nacional celebrando o nascimento de Martim Luther King Jr.
Apesar de enorme oposição pelo então presidente Ronald Reagan, o Congresso Americano aprovou a medida proclamando toda terceira segunda feira do mês de Janeiro feriado nacional em homenagem a MLK, nascido no dia 15/1/1929.
A senhora Coretta Scott King permaneceu uma figura amada e muitas vezes foi comparada a Jacqueline Kennedy Onassis, uma mulher que sobrepujou a tragédia e manteve sua família unida tornando-se inspiração mundial.
Não dá para não ficar emocionado ao ver sua foto abraçada com sua filha Benesse no funeral para o Doutor King em abril de 1968.
Mrs Coretta Scott King, Thank You Very Much!
Senzala, Codinome FEBEM
Estou sentado em uma padaria colombiana perto do meu apartamento tomando um café e degustando um croissant. Lendo uma reportagem sobre a FEBEM do Tatuapé (SP) do ESTADÃO do dia 09.04.06, não pude deixar de pensar nas senzalas brasileiras do tempo da escravidão.
Segundo a reportagem (que não identificou nenhum jovem pela sua raça) há cerca de 1.200 jovens “alojados” nesta unidade. O tratamento ao qual são submetidos diariamente não deve ser diferente do tratamento dado aos escravos insubordinados pelos Capitães do Mato nas plantações na época do longo período escravocrata que o país atravessou (para os mais desavisados foram mais de 300 anos). O nome do atual Capitão do Mato nesta unidade da FEBEM é um certo Carlos segundo a reportagem.
Em 1980, o mundo conheceu um pouco da realidade destes menores através do filme PIXOTE do diretor Hector Babenco. Vinte e seis anos depois parece que esta senzala continua firme e forte em seu propósito de manter os jovens afro-descendentes invisíveis e, claro, fora dos olhares desdenhadores do Brasil com z. In Brazil nothing change!

Edson Cadette