S. Paulo – Com críticas ao grupo hegemônico que dirige a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), divulgou Comunicado no qual afirma que a articulação – composta majoritariamente por ativistas ligados ou próximos ao PT – “está distante dos objetivos de sua fundação, e por isso produziu resultado inverso”. A UNEGRO reúne, no Movimento Negro, ativistas filiados ou próximos ao PC do B – partido também da base do Governo Federal.
A decisão já havia sido comunicada pelo coordenador geral da Unegro, Edson França no encerramento da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, realizada no final do mês passado, em Brasília.
Hegemonismo exclusivista
França disse que a Conferência marcou o fim da era do que ele chama de “hegemonismo exclusivista”, uma crítica direta aos setores do Movimento Negro do PT, que segundo ele, costumam assumir a postura de os únicos interlocutores para o diálogo do Governo.
No comunicado o coordenador geral da UNEGRO diz que “hoje a CONEN é composta e dirigida por uma cúpula de quadros pontualmente espalhados em alguns estados brasileiros” e que “o caminho trilhado pelo grupo hegemônico está levando-o a se distanciar ainda mais dos seus objetivos e tem contribuído para a quebra da “frágil pluralidade”.
Cita como exemplo o fato de a Coordenação eleita no Encontro Nacional da CONEN, em maio de 2006, em Salvador, jamais ter se reunido, e ter sido ignorada pelo grupo hegemônico que a dirige sem respeitar decisões coletivas.
Grupo de S. Paulo
França não cita nomes, porém, sabe-se que se refere, especialmente, ao grupo de S. Paulo, liderado por Flávio Jorge, que durante o período da gestão da ex-ministra Matilde Ribeiro foi a sua principal base de sustentação e caiu no ostracismo após a posse do deputado Edson Santos na Seppir.
“Para um organismo garantir manutenção da unidade no movimento negro exige-se contínua busca de parcerias representativas, de convencimento no debate, amplitude política, democracia interna e institucionalidade, algo extinto na CONEN”, acrescenta.
O Comunicado termina por convidar a militância, entidades e forças avançadas do movimento negro para a construção de um novo diálogo e pacto nacional, em que possamos secundarizar parte das nossas divergências em prol da luta em torno de grandes consensos. Cita como exemplo, a defesa da titulação das terras de quilombos, ampliação e consolidação das ações afirmativas nas universidades, a luta contra a intolerância religiosa, a defsa do trbalho e moradia digna nas cidades e no campo, na saúde e de educação básica de qualidade, da lei 10.639, e a construção de uma sociedade justa e igualitária.

Da Redacao