Salvador – Minimizar desigualdades através de pequenos atos. Este ano, o Cortejo Afro trouxe uma novidade: os homens cordiais. Conhecidos popularmente como cordeiros pelos foliões do Carnaval de Salvador, esses trabalhadores tiveram um tratamento diferenciado no Cortejo. Fardas coloridas com os dizeres “homens cordiais” destacavam as pessoas que puxaram, literalmente, o bloco pela Avenida.
Assim aconteceu no segundo dia de desfile no circuito Osmar (Campo Grande) onde o Cortejo Afro desfilou por volta da 01h. Os “homens cordiais” fizeram parte da festa, mas desta vez, de maneira especial. Não só pelo fardamento e respeito que eram tratados pela diretoria e associados do bloco, mas também pela disposição e alegria que mostravam durante o trabalho.
“Estou gostando de trabalhar aqui porque a nossa cor está na avenida, homenageada sem preconceito, sem racismo, afirmou a “cordeira” Maria da Piedade, dona de casa.
Comemoração
Para festejar os 31 anos de aniversário e resistência do samba tradicional em pleno Carnaval de Salvador, o bloco Alvorada trouxe o sambista carioca de Padre Miguel, Jorge Aragão. De acordo com o diretor do bloco, Valdélio França, a escolha de Jorge Aragão aconteceu pelo fato de ele ser um ícone da Música Popular Brasileira e com isso poder estar homenageando os associados do bloco.
O presidente do Alvorada, Vadinho França disse que ter Jorge Aragão no Carnaval de Salvador representa trazer a versatilidade do samba urbano carioca para a terra do samba-de-roda. O Observatório da Discriminação Racial conseguiu uma entrevista exclusiva com o sambista carioca. Nela, Jorge Aragão agradeceu a oportunidade de estar falando para profissionais de comunicações negros e à Secretaria Municipal da Reparação. Apesar de vir sempre a Salvador, admitiu nunca ter visto casos de discriminação racial no Carnaval da cidade, mas declarou que o Observatório é uma medida específica para diminuir os impactos das desigualdades sociais no Carnaval.

Da Redacao