Brasília – Quatro anos após sua implantação, o sistema de cotas para negros adotado pela Universidade de Brasília (UnB) multiplicou por cinco por cinco o número de afro-brasileiros na Universidade. Em 2.004, quando foi implantado, haviam apenas quatrocentos; este ano, quando se forma a primeira turma, são 2.049 – um número cinco vezes maior, segundo informam as jornalistas Angela Pinho Johannna Nublat, do jornal Folha de S. Paulo.
Em matéria de página publicada na edição deste domingo (18/05), as jornalistas entrevistaram sete estudantes negros que chegaram à Universidade pelo programa, todos moradores na periferia de Brasília, mantidos, na sua maioria por bolsas de pesquisa direcionados a estudantes negros. “Sem as cotas, provavelmente eu não teria feito o vestibular na UnB”, afirma Angelo Roger de França Cruz, 26 anos, formando do Curso de Assistência Social.
Dalila Torres, 22, que irá se formar em ciência política no final do ano, disse que quando entrou se sentia sem ambiente. “Quando cheguei me sentia muito mal, não me reconhecia em ninguém”.
Discriminação
Na convivência com estudantes não cotistas brancos, os estudantes cotistas sentiram o abismo econômico e constataram o preconceito presente na Universidade contra os alunos que entraram pelo sistema de cotas. Todos relataram casos de discriminação. “Quando entrei tinha recado na porta do banheiro de “fora , cotista”. Hoje as pessoas “toleram”, afirma Natalie Mendes Araújo, 21 anos.
Para combater a discriminação existente a forma encontrada foi o bom desempenho acadêmico. “O cotista não tem o direito de ser um aluno mediano ou vai ser apontado como despreparado. É uma obrigação velada mostrar serviço. Se é branco, tanto faz tirar nota baixa”, afirma Gustavo Galeno, Arnt, 20 anos.
Formado em Letras em três anos e meio, ele passou em seguida em 1º lugar no mestrado em Literatura que não tem cotas. “Foi um cala-boca total para a questão do mérito”, conclui.
Meritocracia
A professora Claudete Batista Cardoso, da UnB, afirma, em tese de mestrado, que o desempenho dos alunos cotistas em seus cursos é, em média, semelhante ao dos alunos que entraram pelo sistema universal.
Analisando a nota obtida pelos cotistas que entraram em maio de 2.006, ela constatou que é, em geral, 6% menor, variação que ela considera “irrelevante”. “Os resultados, de um modo geral, vão em sentido contrário às críticas referentes à provável queda de qualidade do ensino superior como resultado do estabelecimento do sistema de cotas”, concluiu.

Da Redacao