As cotas são um instrumento moderno para conta balançar o exercício das liberdades democráticas econômicas no mundo “liberal” de hoje.
Já imaginaram a Europa, com seus 27 países sem o instrumento das cotas? A cotas são utilizadas para superar as diferenças gritantes entre os países europeus, do contrário eles seriam obrigados a mandar Portugal para a América Central.
A sociedade mundial da atualidade, mal ou bem leva em conta as minorias culturais, econômicas e sociais; linimento, ou não, é uma ação positiva que, sem ela, estaríamos de volta à época colonial clássica, onde as cotas eram destinadas somente aos fidalgos.
Cota não é uma coisa nova, existe desde que o mundo é mundo. O que existe de novo é uma participação das minorias na definição de para quem vão as cotas do bem-estar e do usufruto dos bens produzidos por todos (bens produzidos em sua maioria pelas minorias…).
A Turquia, por exemplo, tá louca para virar Europa, mas o bicho tá pegando no tratamento que dá às suas minorias e a dificuldade que tem em reconhecer o genocídio do povo Armênio, em 1915.
A discussão, no Brasil, sobre cotas vai ganhar nova dimensão quando se entender que cotas são um dos instrumentos, não só para reparação dos erros do passado, mas, sobretudo um dos meios de evitar-se mais violências e injustiças no futuro.
O voto no Brasil colonial era cotizado entre uma minoria de proprietários; esta cota do poder de votar estendeu-se, com a República, para os homens que sabiam ler. Com muita porrada e discussão, para as mulheres, que também soubessem ler e, assim por diante, até tornar-se uma cota universal, onde todos têm direito de voto, inclusive o mais despossuído dos analfabetos.
Cota universal? Parece uma contradição, mas não é, pois as cotas sempre foram privadas e privilégio das minorias que exercitam o poder, pois já dizia o dito popular que quem parte e reparte sempre fica com a melhor parte.
Creio que está na hora de mudar-se, no mundo, a frase “todo o poder para o povo”, para “todas as cotas para os povos”. Irá encaixar-se melhor em um mundo que, apesar dos pesares, as minorias sem cotas estão a começar a ter palavra.
No século XIX, os Europeus cotizaram a África, seu território; antes já haviam cotizado e repartido entre si milhões de pessoas humanas destes territórios.
Hoje a África e as pessoas que lá vivem falam de uma “recotização” das riquezas produzidas por este assalto genocida.
Quem fala de cotas no Brasil está afinadão com as novas tendências de interpretação das relações de poder mundial.
Não esmoreçam. As elites brasileiras vão ter que se explicar em muitos fóruns mundiais, onde as relações comerciais e culturais começam a ser acopladas ao tratamento que cada país dá as suas minorias na hora de se estabelecerem tratados de comércio.
Minha esperança é que não precisemos de um Tsunami para que o mundo saiba do genocídio perpetrado contra os negros no Brasil, como em Eceh se faz com a minoria Tamil.

Marcos Romão – Mamaterra Realização de Sonhos Ilimitados