Semana passada o foco das notícias foi a CPI da Petrobrás e seus reflexos como as manifestações dos dias 13 e 15 de março. Passou em branco, em Brasília, a criação de uma nova CPI que não falava dos milhares de dólares desviados da Petrobrás e, sim de milhares de vidas de jovens negros assassinados no Brasil. Dados comparados a um cenário de guerra.

A CPI da juventude negra, de iniciativa do deputado Reginaldo Lopes PT-MG, pretende apurar causas, conseqüências, custo social e econômico da violência, desaparecimento e morte de jovens negros no Brasil. Para o autor da iniciativa é preciso investigar por que a maioria das vítimas de homicídios aqui são, jovens e negros da periferia.

Dados do Ministério da Justiça, de 2014, demonstraram que a taxa de homicídios no Brasil aumentou 148,5% de 1980 a 2012, perfazendo mais de 1,2 milhões de vítimas. Em 2012, por exemplo, dos 56.337 brasileiros assassinados, mais de 30 mil foram de jovens e,
destes, 92% são homens sendo que 77% negros. Em algumas capitais do nordeste, a taxa de homicídio da juventude negra chega a ser 10 vezes maior que a taxa nacional de 29 homicídios para cada 100 mil habitantes número superior à morte de indevidos em algumas áreas de guerra no oriente médio.

As histórias se repetem nessas comunidades periféricas, onde o medo, o silêncio e o abandono prevalecem e, as ações do poder público na área da educação, da saúde, do lazer se tornam insignificantes do ponto de vista dos resultados. A polícia é a única e, na maioria das vezes, a mais indesejável presença do Estado nesses locais.

Neste cenário de guerra cuja imagem é sempre a mesma, jovem negro e pobre tombado, a foto dos 54 envolvidos na operação “lava jato” se contrapõe ao não retratar a imagem de um só negro entre os envolvidos no escândalo, mostrando a face do racismo brasileiro onde os grandes indiciados além do colarinho têm também o pescoço e a face branca enquanto a pena de morte já é um fato para pretos e pobres na periferia.

Maurício Pestana