S. Paulo – Ativistas do Movimento Brasil Afirmativo decidiram em reunião neste sábado (21/10), no Conselho da Comunidade Negra do Estado que, além de buscar ampliar o diálogo com a CUT, as demais Centrais Sindicais e entidades como a Educafro, já iniciado, visando uma agenda unitária para o 20 de Novembro, intensificarão a mobilização nos bairros da periferia chamando para a Parada Negra. A Parada acontece no Dia Nacional da Consciência Negra, na Avenida Paulista, com concentração a partir das 12h no vão do MASP.
A reunião contou com a participação de representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e UEE (União Estadual dos Estudantes), do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (CEERT), Rede Educafro, e de Mário Côrtes, da Coordenação Especial do Negro da Prefeitura de S. Paulo, além de mais 50 ativistas de várias entidades que integram o Movimento Brasil Afirmativo.
Odézia Rodrigues, do Sindicato dos Enfermeiros, que participa da Comissão de Organização da Parada, passou o informe da decisão da CUT, transmitido pela coordenadora da Comissão Nacional de Combate a Discriminação Racial, Maria Izabel da Silva, de realizar a Marcha da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, com concentração às 15h, no MASP.
As entidades que participam da Marcha, entre as quais a CONEN, Unegro, Movimento Negro Unificado, fazem parte da articulação que realizou a Marcha Zumbi + 10 em 22 de novembro do ano passado, em contraposição as entidades que fizeram a mesma manifestação no dia 16 de novembro, por se colocarem em posição mais independente em relação ao Governo e aos partidos da base aliada.
A CUT e as Centrais já assumiram o movimento de coleta de assinaturas em favor do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, iniciado pelo Movimento Brasil Afirmativo. Passadas as eleições, segundo Neide Fonseca, presidente do INSPIR, serão retomados os trabalhos de coleta nas ruas de S. Paulo, a exemplo do que foi feito no dia 11 de setembro na praça Ramos.
Na abertura das discussões, o editor de Afropress, Dojival Vieira, falando pelo Movimento Brasil Afirmativo, defendeu a continuidade do diálogo com a CUT e as demais entidades na perspectiva de uma agenda comum para o dia 20 de novembro. “Vamos lutar até o fim para a unidade. Não podemos permitir a divisão como ocorreu no episódio das duas Marchas Zumbi + 10 no ano passado, em Brasília”, afirmou. Observou, porém, que o Movimento Brasil Afirmativo e as entidades que estão há 4 meses chamando a Parada Negra, se colocam “em um campo político”, de independência em relação a partidos e a Governos.
Para militantes do Movimento Brasil Afirmativo é fundamental que haja unidade de ação. Pela primeira vez desde que foi criado o feriado do dia 20 de novembro, em S. Paulo, cai numa segunda-feira e teme-se que se não houver uma manifestação de peso a data “acabe passando em branco”.
O coordenador da CONE, Mário Côrtes, falou da programação do “Projeto Etnicidades” durante o mês de novembro, porém, disse que a CONE, por ser um órgão da Prefeitura, apenas apoiará as iniciativas da sociedade. “Eu participarei da Parada como pessoa física”, assinalou. Ele ficou encarregado de fazer gestões para liberar a verba de R$ 300 mil, fruto de emenda da vereadora Claudete Alves (PT), aprovada pela Câmara no ano passado para as comemorações do 20 de novembro. Um projeto com o detalhamento da Parada será encaminhado ainda esta semana para que sejam tomadas as providências administrativas para a liberação dos recursos.
“Com recursos ou sem recursos vamos para a Avenida Paulista para marcar o Dia da Consciência Negra, com independência e com autonomia em relação a partidos e a governos. Com as nossas próprias pernas”, afirmam os militantes do Movimento Brasil Afirmativo.
Os participantes da reunião também solicitaram que faça gestões visando a liberação da Avenida Paulista para as manifestações.
Ao final da reunião foi aprovado o logo da Parada Negra (foto), elaborado pelo publicitário e webdesigner Gabriel Silveira. O logo deverá conter uma tarja lilás, em homenagem a luta da mulher negra contra o machismo e a opressão. Também ficou decidido que os eixos políticos da Parada serão a defesa do Estatuto da Igualdade, do PL 73/99 – que criam Ações Afirmativas e Cotas – e a implementação da Lei 10.639/2003, que obriga a inclusão no curriculo das Escolas da matéria História e Cultura Afro-Brasileira.
A proposta da Parada, contudo, não se resume aos eixos políticos. A idéia é se fazer uma convocação para que todos os negros e negras de S. Paulo e as pessoas sensíveis à luta contra o racismo e pela igualdade racial, independente da cor, se dirijam à Paulista. “Vamos mostrar a força da cultura do nosso povo, as religiões de matriz africana, mas também os negros evangélicos, os grupos de capoeira, o hip hop, os trabalhadores e os empresários negros, os estudantes, as escolas de samba, enfim, vamos começar a resgatar nas ruas a força e a auto-estima do nosso povo”, afirmam os organizadores.
No dia 12/11 (domingo) haverá uma Feijoada para arrecadar fundos na sede da UEE, cedida pela direção da entidade. O convite custará R$ 12,00 (feijoada e caipirinha) sem incluir cerveja e refrigerantes.
A próxima reunião da Parada acontecerá no sábado, 28/11, das 10h às 12h30, no auditório da Universidade Zumbi dos Palmares (R. Washington Luiz, 236 – Bairro da Luz).

Da Redacao