Costa Rica – Com a participação de cerca de 100 delegados de 22 países do continente está oficialmente constituído o Parlamento Negro das Américas, que tem como objetivo ser um centro de decisões para diminuir o racismo e melhorar a qualidade de vida dos afrodescendentes da América Latina.
O Parlamento foi criado durante o III Encontro de Parlamentares Afrodescendentes das Américas, que começou segunda-feira, na Província de Limón, a 130 quilômetros ao nordeste de San José, Costa Rica. Limón foi escolhida como sede por ter a maior concentração de afrodescendentes daquele país.
Segundo a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a criação do Parlamento é uma “iniciativa importante para promover a inclusão da população negra nas sociedades de toda a América e Caribe”.
“O Parlamento Negro também poderá fazer propostas aos respectivos Governos para implementar agendas que ajudem a superar o racismo”, afirmou Matilde.
Embora não tenha ainda sede definida a primeira sessão já tem data marcada: será no dia 1 de dezembro, em Brasília, durante a Conferência Regional contra o Racismo Santiago + 5. Para encaminhar as medidas necessárias foi designado um diretório provisório formado pelos deputados Luis Alberto dos Santos (Brasil), Maria Isabel Urrutia (Colômbia), Hinds Fitzgerald (Trinidad Tobago) Jean Agustine (Canadá) e Epsy Campbell e Edwin Patterson (Costa Rica).
O Parlamento Negro terá uma mesa diretora formada por uma Presidência e duas Secretarias, que também serão eleitas na reunião de Brasília. Foi estabelecido que os cargos de direção serão renovados a cada dois anos e que o Parlamento terá uma assembléia plenária constituída por parlamentares da região, além de um conselho assessor permanente formado por representantes de organizações da sociedade civil.
O único requisito para quem quiser integrar o Parlamento Negro é ser legislador de um dos 22 países participantes.
No ato de fundação estiveram presentes membros de organizações internacionais como Carlos Quesada, da Global Rights; Clare Robert, relator especial para afrodescendentes da Organização dos Estados Americanos (OEA); e José Manuel Hermida, do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD). Para Clare Robert, em entrevista concedida a.Douglas Marin, da Agência EFE, o Parlamento “aumentará a visibilidade dos povos afrodescendentes”.
Participaram do Encontro representantes do Brasil, Argentina, Barbados, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, EUA, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Santa Lúcia, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.
Os dois primeiros Encontros de Parlamentares Afrodescendentes aconteceram em Brasília, em 2003, e em Bogotá, em 2004.

Da Redacao