S. Paulo – O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, criado pela ONU, será lembrado neste sábado (21/março), em todo o Brasil em eventos promovidos por órgãos de Governos – como a criação do Centro de Referência e Combate ao Racismo, em S. Paulo – e por manifestações públicas que pedindo o fim da discriminação racial no país e políticas públicas que favoreçam a inserção da população negra nos direitos básicos da cidadania e nos espaços de poder.
A principal manifestação está marcada para acontecer a partir das 14h, no Largo do Paysandu, centro de S. Paulo, quando estudantes da União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro), entidade formada for dissidentes que recentemente romperam com a Educafro, do Frei David Raimundo dos Santos, ocuparão a Praça.
O ponto culminante da manifestação ocorrerá às 17h, quando serão instaladas carteiras escolares no Largo atrás da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, e professores passarão a ministrar uma aula simbólica para lembrar que negros no Brasil não tem oportunidades iguais de acesso à Educação.
Dirigentes da nova entidade – que é integrada por cerca de 95% da antiga direção da Educafro, inclusive os seus coordenadores Geral, Político e e Jurídico, respectivamente, Heber Fagundes, Douglas Belchior e Clayton Borges – disseram que o ato também marcará a adesão de novas lideranças a Uneafro, que passa a se autodenominar Uneafro – Brasil e adotar como lemba “pela construção de um Movimento Negro, democrático, popular e de luta”.
Após a manifestação haverá um ato cultural e confraternização na sede do Sinsprev – Sindicato dos Previdenciários, na Rua Antonio de Godoy.
Centro de Prevenção
Na tarde desta sexta-feira, a Secretaria de Participação e Parceria e a Comissão de Direitos Humanos CMDH da Prefeitura de São Paulo inauguraram, no Páteo do Colégio, 5, como parte das comemorações pela Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, o primeiro Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo da cidade de São Paulo.
São. Paulo, com cerca de 3,5 milhões de afrodescendentes (pretos e pardos), é a maior cidade negra do mundo fora da África, ficando atrás apenas do Cairo, no Egito, e de Lagos, na Nigéria. Também o Estado tem a maior população negra em números absolutos, cerca de 12,5 milhões de habitantes, segundo dados da Fundação Seade.
O Centro, criado pelo decreto 47.897, atuará na prevenção e combate ao racismo, oferecendo acolhimento, atendimento e encaminhamento jurídico e psico-social para casos denunciados de discriminação e funcionará das 9h às 18 horas. A gestão do Centro será feita pela Coordenadoria dos Assuntos da População Negra – CONE.
O 21 de Março
Há 49 anos, no dia 21 de março de 1960, a policia do regime de apartheid atirou sobre vinte mil negros, que protestavam pacificamente contra a lei do passe na cidade de Joanesburgo, África do Sul. A regra (lei do passe) havia sido imposta pelo regime racista do governo sul-africano e obrigava a população negra a portar cartões de identificação, os quais eram usados para controlar sua circulação pelo espaço público da cidade. Dezenas de manifestantes foram atingidos, causando a morte de 69 manifestantes e deixando 186 feridos.
O massacre de Shaperville, como ficou conhecido, levou a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) a aprovar a resolução 2.506, em 1969, destacando o dia 21 de março, como o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.
O dia 21 de março continua a simbolizar mundialmente um momento de reflexão contra a intolerância racial e a favor da liberdade de expressão.

Da Redacao