Segundo matéria publicada na edição de primeiro de novembro próximo passado, no Jornal do Brasil (página A14), sob o título “Cartilha para evitar preconceito”, o dirigente do Cremerj foi irônico ao classficar de “fantástica” a declaração do atual ministro da Saúde, Agenor Álvares, de que o Sistema Único de Saúde (SUS) seria “racista” em reportagem publicada no dia anterior (31/10/06, na pág. A14) no mesmo jornal, que traz exemplos e depoimentos de maus-tratos cometidos contra mulheres negras em hospitais públicos, segundo apontam pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo próprio Ministério da Saúde.
O mesmo médico ao utilizar a insuficiência de recursos em sua declaração na matéria quis restringir o problema ao campo econômico, recorrendo a uma antiga argumentação toda a vez que se trata da desigualdade racial no Brasil. “É um problema social, e não de um setor”, disse o também médico Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, fazendo na reportagem um “dueto” com Geraldes. Como representantes classistas são homens bem informados e, pelo menos alguma vez, tiveram acesso a materiais, publicados inclusive na imprensa, sobre relações raciais no país. Certamente ambos apenas “se esquecem” que a questão racial no Brasil é um dos problemas sociais brasileiros
Já nos reportamos em artigo anterior à inconveniência de se falar a verdade, em diversos momentos, na vida brasileira.Não houve de minha parte qualquer exercício de futurologia (vide as matérias comentadas aqui), mas apenas a constatação de uma postura que nos dá a sensação de repertir-se eternamente. Este medo de parcelas da população brasileira em discutir, com profundidade, o tema das relações raciais no Brasil indica não sermos o País verdadeiramente unido que fazemos questão de propagar “aos quatro ventos”.
Na matéria de 01/11/06, cartilha financiada pelo Ministério da Saúde apresenta-se para colaborar na solução do problema referente ao mau atendimento à mulher negra nos hospitais públicos. Será distribuída no primeiro semestre de 2007 entre os profissionais que trabalham no SUS, segundo informou a reportagem do JB. Este instrumento visa capacitar estes trabalhadores no atendimento à população negra.

Miro Nunes