S. Paulo – O cartunista Maurício Pestana assume a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) do Governo Fernando Haddad, na próxima segunda-feira, dia 22/06, em lugar de Antonio Pinto, de quem era Adjunto. A troca de cadeiras já se insere nas articulações políticas de Haddad visando as eleições do ano que vem quando será candidato a reeleição.

O titular Antonio Pinto (foto abaixo) é filiado ao PT e foi indicado pelo cantor, empresário, apresentador e vereador Netinho de Paula, do PC do B. Ocorre que, também como parte das articulações para as eleições de 2016, Netinho deixou o Partido pelo qual se elegeu e foi para o PDT, para garantir para Haddad o apoio da legenda e mais tempo de TV.

Com Pestana como titular com apoio do PC do B, partido do qual o cartunista é filiado, o prefeito espera manter esse partido entre as legendas da frente de apoio à sua reeleição.

A parte o jogo político-partidário-eleitoral, a ida de Pestana para a SMPIR não altera uma vírgula na atuação opaca que o tema ocupa na agenda municipal. Com um orçamento apenas simbólico, a Secretaria tem tido atuação apagada e os temas ligados a defesa da igualdade numa cidade de quase 4 milhões de pretos e pardos (negros), como S. Paulo é inexpressiva, segundo observadores.

No release distribuído pela assessoria em tom autoelogioso, Pestana destaca que “acumula mais de três décadas dedicadas à questão racial, e fala de sua atuação de jornalista, escritor, publicitário e cartunista, autor de mais de 50 publicações, algumas das quais publicadas no exterior com foco nas desigualdades raciais brasileiras”.

“Cuidar da questão racial é uma responsabilidade grande e necessária na cidade do país com o maior número de negros segundo dados do IBGE, declara, elogiando a iniciativa do prefeito Haddad em criar uma secretaria específica para a promoção da igualdade racial, já no início de seu mandato”.

O novo secretário disse que pretende “consolidar” o que chama de “ações estratégicas já em andamento”, destacando o Programa de Desenvolvimento Social e Econômico para a população negra; a Lei 10.639/03, que obriga o ensino de História da África, Culturas Africana e Afro-Brasileira nas escolas; o Plano ‘Juventude Viva’ para o enfrentamento da violência contra a juventude negra; a ampliação dos programas de ação afirmativa, especialmente no serviço público do município, que já beneficiou mais de 1000 pessoas, em cargos como o de procurador, auditor fiscal e professor, entre outros; e a amplificação do diálogo com setores das diversas culturas que habitam a cidade.

Avaliação

Em maio deste ano, em visita a Nova York, o cartunista disse ao correspondente de Afropress, Edson Cadette ser difícil ser avaliado enquanto se está no Governo. “Você poderá ser avaliado depois que você sair, e depois de um certo tempo. Um Governo se analisa pela obra que ele deixa, e não se mede ele pelo momento em que ele está passando. Até a onde eu consigo ver acredito que o tempo ainda é curto para uma auto avaliação”, afirmou sobre o mandato de Haddad que termina no próximo ano.

Quanto ao fato de a SMPIR ter ignorado as mídias que tratam do tema, embora o próprio Pestana seja colaborador de blogs e portais, como a Afropress, o cartunista foi ainda mais condescendente: “Primeiro, a comunicação, assim como a informação, é um setor altamente estratégico. Assim como todos os setores estratégicos ela tem reserva de mercado. Falando por experiência própria como diretor da revista Raça Brasil por oito anos. Por exemplo, em várias agências onde eu batia encontrava um profissional de mídia que, em geral, não entende nada sobre o tema étnicorracial e acredita fielmente que o Brasil não é racista. Este profissional acha que não precisa anunciar num meio de comunicação voltado para a comunidade negra. Em geral é isto. Se em geral é este profissional que você irá encontrar, será então muito mais difícil. Você não tem quem invista neste projeto de comunicação. Então, não é facil “quebrar” este pensamento. “Quebrar” esta ideologia não é facil no Brasil. O profissional da mídia sempre dirá que este problema no Brasil não existe. Ele irá dizer tambem que nós não conseguimos atingir o público que eles almeijam. A gente sempre terá dificuldades de trazer o anúncio”, afirmou, esquecendo que uma das suas funções como ocupante de um cargo público voltado ao combate ao racismo e a desigualdade racial deveria ser, entre outros, o de “quebrar este pensamento”.

Cartunista

Oriundo da área de comunicação, Maurício Pestana desenvolveu carreira como cartunista político, publicitário, diretor executivo e editorialista. Natural de Santo André, na Grande São Paulo, é discípulo do grande desenhista mineiro Henfil (1944 – 1988), com quem trabalhou no final dos anos 70.

Editorialista do jornal ‘Diário de São Paulo’, também dirigiu a revista ‘Raça’ por quase oito anos, até se licenciar, em 2014, para assumir o cargo de secretário adjunto da SMPIR.

No release autoelogioso, sua assessoria destaca que “em apenas seis meses de gestão, ele encabeçou um dos maiores projetos da Secretaria, o “São Paulo Diverso: Fórum de Desenvolvimento Econômico Inclusivo”.

Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, o encontro reuniu altos executivos de mais de 100 empresas, entre as quais Google, Citibank, Carrefour, além de representantes de setores público e da sociedade civil, visando a inclusão de negros na estrutura das grandes corporações, tanto públicas quanto privadas.

Em visita recente aos Estados Unidos, a convite do BID, O Secretario falou sobre o projeto e se reuniu com diversas lideranças locais. A experiência, que deve ser reproduzida em outros países da América Latina, já tem sua segunda edição confirmada para novembro na capital.

Além da visita aos EUA, não se tem notícias de quaisquer subprodutos dessa iniciativa na cidade de S. Paulo.

A posse está marcada para esta segunda-feira, às 15h, na sede da Prefeitura no Viaduto do Chá, 15 – Edifício Matarazzo (auditório do 7º andar).

Da Redacao