S. Paulo  – A uma platéia formada por oficiais da PM paulista – incluindo capitães tenentes e coronéis – o líder do MTST, Guilherme Boulos, apontou o aumento dos aluguéis e a especulação imobiliária, como os principais responsáveis pelas ocupações de terras ociosas e pediu a não criminalização dos movimentos sociais. Boulos elogiou a disposição da PM para o diálogo.

“O dinheiro fruto dos roubos e ou furtos nas periferias das grandes cidades, não chega nem perto dos bilhões desviados nos casos de corrupção que temos visto”, afirmou fazendo menção indireta ao escândalo da Petrobrás.

O líder do MTST, que faz parte da coordenação nacional do Movimento, apontou que há dois pesos e duas medidas nas ações de desocupação e citou como exemplo áreas ocupadas por shoppings, como o Eldorado, Center Norte, Continental, além de clubes frequentados pela classe média alta paulistana como o Ipê, Espéria, Alto de Pinheiros, Paineira do Morumby, que ocupam áreas públicas invadidas.

O debate foi promovido ontem, quarta-feira (10/12), pela Diretoria de Polícia Comunitaria e Direitos Humanos da Polícia Militar de S. Paulo como parte do Ciclo de Debates Institucional “Direitos Humanos e a Polícia do Futuro” na Fundação Getúlio Vargas, da Rua Itapeva, e , além de Boulos (foto ao lado), contou com a presença do coronel Glauco de Carvalho (foto da capa), de Cheila Ollala, do Centro Santo Dias de Direitos Humanos, de Rafael Alcadipani da Silveira, líder da linha de Pesquisa em Estudos Organizacionais da EAESP, da Fundação Getúlio Vargas, e do jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress.

Reflexão

Na exposição, o jornalista editor de Afropress defendeu que, em um Estado Democrático de Direito “o papel da Polícia tem de ser diferente do papel que teve na ditadura”, e sugeriu que a corporação promova debates reflexões sobre o significado da existência das estrelas do seu brasão – como a 8ª, a 9ª e a 18ª – que celebram episódios como o de Canudos e da Revolta da Chibata, e o Golpe militar de 1964, em que revoltas populares justas foram sufocadas e, no caso do golpe, a ordem constitucional foi rompida pela violência.

Para o editor, a desigualdade social é a fonte de toda a violência. Ele apontou o fato do negro ser visto como suspeito padrão, como "fruto da herança maldita da escravidão", que continua se projetando nos dias de hoje e explica a desvantagem da população negra, apontada em todos os indicadores socioeconômicos.

Por sua vez, o coronel Glauco Carvalho defendeu a necessidade do diálogo da corporação com a sociedade e os movimentos sociais na busca da geração de “consensos”.

Da Redacao