Lauro de Freitas – O I Encontro Nacional de Juventude Negra (I Enjune) foi aberto, nessa sexta (27/07) na cidade de Lauro de Freitas/BA (foto ao lado) com duas mesas de debates, uma de representantes governamentais e outra da sociedade civil. As autoridades falaram da importância do encontro para a juventude negra e a necessidade da efetivação de políticas públicas para esse segmento. Entre os presentes, a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Matilde Ribeiro; o representante do Ministério da Saúde, Antônio Alves; o secretário Municipal da Reparação, Gilmar Santiago; a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho e a vereadora da cidade de Salvador, Olívia Santana.
“A importância está em revigorar o movimento negro e trazer inovações para o governo e para a sociedade civil. Esse formato de organização autônoma merece apoio para sua continuidade e para a construção da transversalidade que aponte fatores fundamentais para a juventude negra” afirmou a ministra Matilde Ribeiro.
A segunda mesa do Enjune, com o tema “Genocídio da Juventude Negra”, reuniu representantes de organizações da sociedade civil como Deise Benedito, da ONG Fala Preta (SP); Seba Vassou, do Fórum Reage Baixada (RJ); Alexandre Garnizé, do Conselho Nacional de Juventude (RJ) e o pesquisador Zapata, do Rio Grande do Sul, além de Hamilton Borges e Lio Nzumbi, ambos do Movimento Negro Unificado e da Campanha Reaja ou será [email protected] (BA).
“No Brasil, a identidade criminal é determinada pelos traços físicos, dividindo quem é do bem e quem é do mal. Essa imagem nociva do jovem negro, reforçada pela mídia, deve ser derrubada”, afirmou Deise Benedito, alertando para a gravidade do genocídio cotidiano de jovens negros e negras. A noite de abertura do Enjune ainda prestou uma homenagem ao Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe, comemorado no dia 25 de Julho. A Banda Aiyê,do bloco afro Ilê Aiyê encerrou a primeira noite ao som de grandes sucesso do Carnaval baiano.
Rodas de Discussões
Ontem, sábado (28/07), o 1º Enjune continuou com 14 rodas de discussão com os seguintes eixos temáticos: cultura, gênero, educação, comunicação e tecnologia, violência, meio ambiente, sexualidade, acessibilidade, religiosidade, trabalho, terra e moradia, saúde, intervenção nos espaços políticos e ações afirmativas.
As discussões reuniram representantes da juventude negra brasileira, representantes da sociedade civil e instituições governamentais, entre as quais, Ministério da Saúde, da Justiça e as Secretarias de Direitos Humanos e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
Pela manhã houve a leitura do Regulamento do ENJUNE, com a inclusão de novas contribuições trazidas pelos representantes dos 21 Estados presentes. À tarde, ocorreram concorridas Rodas de Discussão, em destaque para a de cultura, com a participação do ator e diretor teatral baiano, Ângelo Flávio.
O artista discutiu o acesso às políticas culturais existentes no país, que segundo ele, não contemplam a juventude negra brasileira, e sugeriu a criação de uma política cultural estruturada que fuja dos padrões e estereótipos criados pelo imaginário eurocêntrico. “O país precisa repensar e efetivar políticas sócio-culturais que resgatem e valorizem a cultura negra, negada ao longo do tempo para nós, afrodescendentes. Assim como a construção de uma plataforma única que nos permita tratar de nossas questões no contexto étnico/racial”, enfatizou Ângelo Flávio.
Outro tema discutidos nas Rodas foi “gênero e feminismo”, com a participação de Ubiraci Matildes, do Fórum Nacional de Mulheres Negras (BA) e Regina Adami, representante da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República, que fez uma explanação sobre a autonomia das jovens negras, discutindo pontos estratégicos para implementação de políticas públicas.
Adami destacou a importância de ações que tenham como objetivo atender fatores como a descriminalização do aborto, o contraste com o mercado de trabalho, a exploração sexual e o tráfico de mulheres, que em sua maioria são jovens negras.
“As jovens negras que integraram as discussões, aqui no Enjune, estão atentas e atualizadas com os assuntos que afligem as mulheres negras, compreendendo o feminismo negro, a partir da realidade social e racial de cada estado. É importante que as mulheres jovens negras estejam discutindo com o governo sobre estas problemáticas”, reafirma Regina Adami.
Os dois painéis “Novas Perspectivas na Militância Étnico/Racial” e “Juventude Negra e Diáspora Africana” concluíram mais um dia de debates e discussões do ENJUNE, com militantes negros e negras do Brasil e de países como o Uruguai e o Senegal. Uma banda de samba de roda e um grupo de Hip Hop animou os jovens durante a noite.

Da Redacao