Brasília – O professor Ivan Camargo, decano de ensino de Graduação da Universidade de Brasília (UnB), despediu-se do cargo esta semana, elogiando o sistema de cotas para negros nas Universidades e disse que os cotistas “são alunos excelentes que antes não conseguiam entrar na universidade por falta de oportunidade”. Camargo estava no cargo desde março de 2.003.
“Acredito que futuramente essa diversidade terá impacto também nas pesquisas acadêmicas e na forma de pensar o ensino superior. Não é possível discutir Antropologia no Brasil em uma sala só com brancos, ou então psicologia do aprendizado”, afirmou.
A Universidade de Brasília foi a primeira Universidade Federal a adotar o sistema de Cotas, a partir de um movimento iniciado pelos professores José Jorge de Carvalho e Rita Segatto, em novembro de 1.999, ao constatarem que o número de estudantes brancos nas carreiras de alto prestígio das Universidades brasileiras chega a 96% e, em alguns casos, a 98%. Carvalho e Segatto, que são brancos, iniciaram a partir daí uma discussão que acabou ganhando corpo pelo país. Até o momento, 17 Universidades brasileiras, entre Federais e Estaduais, já adotam cotas.
Em entrevista ao editor on-line da Assessoria de Comunicação da Unb, André Augusto Castro, Camargo confessa que era contra as cotas, porém, mudou de opinião. “No início da discussão, eu tinha muitas restrições, talvez até pelo conservadorismo de professor em dar muito valor ao mérito acadêmico. Durante os debates fui convencido do contrário e hoje sou um defensor do sistema”, acrescentou.

Da Redacao