Muito prazer Lobito, eu me chamo Claudia. Venho neste momento apresentar-me a ti. Eu tive o prazer de conhecê-la, e isto se deu, cidade de Lobito, no ano do seu centenário. Há alguns meses atrás, em 2013. O que considerei um grande privilégio!

O idioma angolano que se fala pelo sul do país eu não domino, o umbundu. No entanto, esse país  fora colonizado pelos mesmos que colonizaram o país que eu nasci, e como num todo, o país fala o idioma do colonizador, falamos portanto a mesma língua. O português. Como vês, as coisas já estão a se estreitar.

Sem meias palavras ou meias voltas, lhe digo: te conheci e me apaixonei por ti! Sei que é uma declaração muito direta e frontal, mas a paixão, assim como todos os sentimentos, são melhores quando demonstrados. Assim eu penso.

Fiquei a avaliar como o faria, como exporia este meu sentir e decidi que seria através da escrita. Escreveria sobre este despertar de sentimento, descrevendo por escrito, a minha avaliação sobre e para ti. Calma, pequena, pacata, tranquila, arejada, linda e cheia de mar, o adorável mar. Sra. Centenária cidade de Lobito: és encantadora! E que potencial tens para encantar ainda mais.

Tudo que eu fixava o olhar via possibilidade de crescimento, a cada esquina, a cada lugar. Turisticamente falando, tens um futuro promissor. Que sinceramente me inspirou. Os turistas que começarem visitá-la, assim como eu, amarão conhecê-la e poder, desta paz desfrutar. Eu mesma já tenho uma lista de pessoas que eu quero indicar para que ponham o Lobito como um dos lugares que eles devem conhecer.

Me diga: o que faco para aproximar-me de ti? Numa amistosa união, promissora, de trocas positivas e afetuosas?

Queres saber um pouco mais sobre mim, eu presumo. Pois bem, África sempre esteve no meu imaginário, há anos, e ao pisar pela primeira vez neste continente, o país de destino fora Angola e a cidade que hospedei-me fora o Lobito. Que sorte! Senti um amor, um amor pelo Lobito… Imediato! Os sentimentos são assim, vêm, surgem, nascem, invadem, se estabelecem. Sem muitos rodeios, sem muitas perguntas, sem muitos auês e confusões. Eles simplesmente são. Eles simplesmente penetram!

Eu diria que foi amor à primeira vista. Num piscar de olhos e… de admiração pelo seu mar. Mar, este grandioso mar, que eu amo e admiro há anos, desde pequenininha.

Sabe Sra. Centenária, quando a gente imagina coisas, acontecimentos, empreendimentos, sucessos e se vê envolvida nesta corrente de possibilidades? Pois bem, estou a me sentir assim. E não se sinta isenta de responsabilidade, pois como escreveu Antoine de Saint-Exupery na obra O pequeno principe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E se me cativastes tremendamente assim, é porque és de verdade acolhedora.

Como faço para te confidenciar os meus planos, ou melhor, sobre os meus desejos? Terias um tempo para mim? Teria eu que agendar um horário com o seu administrador? Como se chama ele mesmo? Ah lembrei, chamasse Amaro Segunda Ricardo.

Bem, enquanto pensa qual resposta me dará, gostaria de perguntar-te também, sobre como é sua relação com Benguela, que aliás, também gostei muito. Muito mesmo!

Bem, não fique enciumada, fazes parte de Benguela, portanto, se gostei de ti e te digo que também gostei de Benguela, significa que gostei de ti ao quadrado! Rs Sem ciúmes eu disse, por favor, Benguela é também adorável, mas tú me fostes mais atraente. Vou parar já. Já estou a te enaltecer demais e nem mesmo sei qual resposta irá me dá. Ainda não ouvi nada de ti.

Estou aqui a pensar e ponderar se deveria mesmo escrever-te esta carta de amor. Será que serei bem interpretada? Não sei… No entanto, penso que estar a te escrever estas linhas, seguindo as ordens do meu coração, está a me fazer muito bem. Mais leve e melhor comigo mesma, pois, como já escrevi acima, os sentimentos devem ser declarados. E senti esta necessidade desde que a mirei pela primeira vez, nos primeiros momentos, no meu primeiro respirar aí. Sei que é curioso, talvez ninguém tenha se declarado a ti desta maneira. Se houve, me uno a estes e faço o meu bem-querer expandir-se nestas linhas, neste sentir.

Nasci como disse em um país que teve o mesmo colonizador de Angola, o Brasil, por isso esta facilidade na nossa comunicação, ou melhor, na minha tentativa de diálogo contigo. Nascida numa cidade onde a cultura da praia e do sol é intensa, é uma cidade turística, onde turistas do mundo inteiro a vão visitar, uma maravilhosa cidade, conhecida mesmo por isto, por ser a cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Imagino que já deves ter ouvido falar da minha cidade de nascimento. Ora este Rio encantador, um Rio de Janeiro que tem toda a estrutura e desenvolvimento voltado para o setor turístico e oferece aos amantes do mar, do sol e do lazer ao ar livre, diversas praias e diversões a beira-mar.

Como podes ver, sou íntima do mar faz tempo, mas o que eu descobri é que lugares mais tranquilos, me apetecem neste momento. Lobito: tu me despertastes isto. Afinal, somos feitos de momentos e cada momento em nossas vidas ditam para onde queremos e devemos ir, pairar, pousar. Por onde seguir, melhor dizendo.

Lembrei-me de algo que muito me agradou quando aí estive, adorável Lobito, foi a oportunidade que tive de ir a Igreja Nossa Senhora da Arábida, que está localizada na Restinga. A cerimônia se deu linda e cantada, uma missa onde os cantos foram entoados em umbundu, o que muito me emocionou. Saí daquele momento revigorada. Foi uma linda experiência!

Desde que daí saí, de que voltei para casa, tenho pensado em ti. Em intervalos muito curtos, bem típicos de quem fora arrebata por uma paixão, pois quando somos tomadas por este sentimento, é exatamente assim que ficamos, a pensar com muita frequência no que nos despertou paixão.

Já me imagino novamente aí, pois nossa ligação ainda está por se estabelecer e sinto que nossa história de amor há de ter uma sequência feliz. O que me propiciará entoar em alto e bom tom: Ao Lobito com amor! Com e por amor, com admiração e desejo de alguma forma contribuir para o desenvolvimento deste abençoado pedaço de terra, com expectativas, com verdadeiro sentimento, que surgiu, que permanece e que eu amaria que fosse por ti, correspondido.

Os fortes e genuínos sentimentos nos puxam e as verdadeiras histórias nos buscam onde quer que estejamos. Angola me enlaçou antes mesmo de tê-la conhecido, nos pensamentos, nos longínquos desejos, no afável bem-querer daquilo que eu nem sequer conhecia. 

Curioso, pois uma vez me foi dito que a maneira que eu falava sobre a minha cidade, e sobre o meu amor por ela, soava como seu eu estivesse falando de um ser, que eu amava o Rio de Janeiro como se ama uma pessoa. Creio ser isto a expressão de um transbordante amor. História parecida se repete, me declaro a ti cidade, como se a um ser, estivesse me declarando. O que me faz nitidamente acreditar de que tem-se aqui portanto, o inicio de uma historia de amor! Do meu amor por você…

Visite www.wikipedia.com  sobre Lobito em português.

Claudia Oliveira Nguvulo