Brasília – Ao contrário do Programa de 2.002, que tinha um capítulo inteiro sobre o combate ao racismo e defendia cotas na Universidade, no programa atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, ele evita se comprometer com a defesa das cotas para negros e indígenas como proposta para enfrentar a desigualdade racial.
Em seu lugar consta a proposta genérica da defesa de ações afirmativas que pode ou não incluir cotas. A palavra cota foi evitada porque o tema é polêmico e divide opiniões no PT e nos demais partidos que apóiam a reeleição, de acordo com o secretário de cultura do PT e membro da coordenação do programa de governo, Glauber Piva.
A discussão do tema causa desconforto na militância do partido, uma vez que, embora ações afirmativas seja gênero e cota uma espécie, a não inclusão da proposta no programa, representa um recuo de posições anteriormente assumidas.
Por outro lado cria uma indefinição em relação à posição que o PT e a base aliada adotará na votação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, projetos que tramitam há muitos anos no Congresso e devem ser votados no ano que vem.
As indefinições cresceram desde que os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Fernando Haddad (Educação) mudaram de posição e passaram a defender cotas sociais, com base em critérios sócio-econômicos. No Governo, apenas a ministra, Matilde Ribeiro, da Seppir defende cotas raciais, como prevê o Estatuto da Igualdade Racial, já aprovado no Senado e em tramitação na Câmara.

Da Redacao