S. Paulo – Em reunião que contou com a presença de cerca de 50 ativistas do Movimento Negro e anti-racista no Sindicato dos Enfermeiros, foi definida neste sábado, 14/10, a Coordenação de Organização da Parada Negra de S. Paulo, que acontecerá em 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra. A concentração da Parada está marcada para o vão do Masp, na Avenida Paulista, a partir das 12h.
A proposta dos organizadores é fazer uma convocação ampla a todos os negros e negras de S. Paulo e aliados da luta anti-racista para marcar a data, que é feriado municipal em S. Paulo e acontece pela primeira vez em um dia da semana – uma segunda-feira. Também foi decidido buscar junto a CONE, entendimentos junto às autoridades municipais visando a liberação do espaço da Paulista.
A idéia dos membros da Comissão Organizadora é solicitar, através da CONE, uma audiência com a Secretaria de Cultura do Município para a liberação de recursos aprovados no orçamento municipal destinados às comemorações do 20 de novembro.
“Com recursos ou sem recursos. Com 10 pessoas ou com 10 mil estaremos na Paulista para marcar a data que é a mais importante da história do povo negro de S. Paulo e do Brasil”, afirmaram os organizadores.
Também começarão a ser intensificados contatos com as Escolas de Samba, religiões de matriz africana, evangélicos negros, grupos de capoeira e de hip hop da periferia de S. Paulo, bem como a juventude negra. Sindicatos de Trabalhadores e as centrais sindicais, bem como parlamentares também serão contatados.
Há uma Lei que proíbe o uso daquela via pública para manifestações, porém, os organizadores argumentam que a Paulista já foi cedida este ano para a Parada Gay e para a manifestação dos evangélicos, que reuniram cerca de 2,5 milhões de pessoas cada.
Segundo ativistas do Movimento Brasil Afirmativo, que há cerca de três meses começaram a discutir o ato e a passar o Abaixo-Assinado em favor do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, projetos que criam Ações Afirmativas e Cotas em tramitação no Congresso, a unidade das organizações do Movimento Negro e anti-racista é fundamental para que o “feriado não passe literalmente em branco”.
A Comissão é formada por órgãos como Coordenação Especial de Assuntos do Negro do Município de S. Paulo (CONE) e organizações como o Movimento Brasil Afirmativo, a Afropress, o Núcleo de Consciência Negra da USP, Congresso Nacional Afro-Brasileiro, o Centro Acadêmico da Faculdade Zumbi dos Palmares, o Conselho da Comunidade Negra, a Educafro e o Sindicato dos Enfermeiros de S. Paulo. A Comissão estará aberta à participação de outras entidades que pretendam construir a agenda unitária para o Dia Nacional da Consciência Negra.
Também foram formadas quatro comissões – Finanças, Segurança, Comunicação e Programação e Mobilização. Essas comissões terão o papel de cuidar da infra-estrutura da Parada e intensificar a convocatória de ativistas e militantes. Personalidades negras de destaque como os cantores Netinho de Paula e Happin Hood já foram procurados para apoiarem a iniciativa. Também será feito com Mano Brown e outros artistas negros.
A próxima reunião da Parada, que é aberta a quem queira participar da organização, está marcada para o próximo sábado, dia 21/10, a partir das 10h, no Conselho da Comunidade Negra do Estado de S. Paulo – R. Antonio de Godoy, 122 – Centro (próximo ao Largo do Paissandu – Centro).

Da Redacao