S. Paulo – A ativista Deise Benedito, coordenadora da Área de Articulação Política e Direitos Humanos da ONG Fala Preta – Organização de Mulheres Negras -, disse estranhar a postura de entidades como a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), União dos Negros pela Igualdade (Unegro) e Movimento Negro Unificado (MNU) que não assumiram a liderança do movimento proposto pelo Fórum S. Paulo da Igualdade Racial, que pretende coletar 100 mil assinaturas para pressionar o Congresso a votar o Estatuto e o PL 73/99.
“Causa-me estranheza até porque estes segmentos há 11 anos atrás contribuíram para a redação do Estatuto e sempre exigiram que o mesmo fosse colocado em pauta nas votações, exigindo fundos para sua implementação”, afirmou.
A mobilização iniciada pelo Movimento Brasil Afirmativo reúne, no Fórum, entidades como a Rede Educafro, o Instituto do Negro Padre Batista e dezenas de outras entidades, da capital, da região metropolitana e do interior. A coleta está sendo intensificada por ativistas e na próxima segunda-feira, 16/07, às 19h, na Rede Educafro, haverá reunião de mobilização. A entrega das assinaturas em Brasília acontecerá na primeira quinzena de agosto.
Veja, na íntegra, a entrevista de Deise Benedito
Afropress – Como está vendo a mobilização das entidades reunidas no Fórum para mobilizar a sociedade e pressionar o Congresso pela votação do Estatuto e do PL 73/99?
Deise Benedito – Vejo como uma atitude muito positiva uma vez que as entidades que estavam presentes acompanham a trajetória pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial há anos como também muitas deram suas contribuições para a elaboração do mesmo.
Afropress – Como está vendo a posição da CONEN, Unegro e MNU, por intermédio de sua coordenação em S. Paulo, este último claramente refratário e defendendo a retirada do Projeto do Estatuto sob o argumento estapafúrdio de que exigir a votação é uma atitude “açodada”, isto depois de o projeto permanecer por 11 anos nas gavetas do Congresso?
Deise – Causa-me estranheza até por que estes seguimentos há 11 anos contribuíram para a redação do Estatuto da Promoção da Igualdade Racial, sempre exigiram que o mesmo fosse colocado em pauta nas votações e exigiam fundos para sua implementação.
Afropress – Você e sua entidade estão assumindo a campanha em defesa das 100 mil assinaturas a serem entregues ao Congresso? Como a sua entidade participará do movimento junto com o Fórum?
Deise – A Fala Preta durante o próximo semestre estará desenvolvendo uma série de seminários voltados para mulheres negras e jovens em São Paulo, e nosso objetivo é difundir o manifesto bem como colher o maior número de assinaturas possíveis nestas atividades.
Afropress – Faça as considerações que julgar pertinentes.
Deise – Acredito que o lançamento do Fórum (lançado no dia 29/07, na Educafro) aponta para uma nova articulação no Estado de São Paulo. O conjunto de forças presentes foi muito significativo, temos que ampliar nossos campos de atuação para além dos “partidos”; temos de aumentar o número de aliados e parceiros; temos que, não apenas conseguir 100 mil assinaturas, temos que colher mais de 1milhão. O que se desencadeou em SP é um exemplo a ser seguido pelo Brasil.
Em todos os espaços públicos de concentração temos que passar o abaixo-assinado, nas Conferências que irão acontecer ainda este ano. Temos a Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, que irá reunir mais de 1.000 mulheres de todo Brasil, assim como outras conferências, encontros, seminários, na Rua do Samba, Samba da Lage, Ensaio de Escolas de Samba, Universidades, Ensaio de Blocos Carnavalescos, no final das Saída de Festas, de Terreiros, Salões de Cabelereiros, Cursos de Formação, Feiras- Livres, junto a atividades de Sindicatos e outras atividades que irão acontecer, independente de ser do movimento negro ou não, tem que ter alguém colhendo assinaturas. Por isto a necessidade de ampliar o número de aliados na luta anti-racista.
Até mesmo nas ruas, nas calçadas. Foi assim que a novelista Carla Perez, com o auxilio da mídia, conseguiu aprovar a Lei de Crimes Hediondos. Temos que aproveitar os programas de Black Music nas rádios 105, com apoio do movimento Hip Hop e por para quebrar. Só assim a coisa vira. Envolver a juventude negra na participação bem como dando voz nos espaços de reuniões. Mas temos que ter um único local para enviar as assinaturas que facilitará a vida de todos (as). O Fórum ançado em São Paulo aponta para novas estratégias de luta e já começar a organização do 20 de novembro de 2007 que, pelo visto, será bem diferente. Isto é muito positivo.

Da Redacao