S. Paulo – O operário Anderson Luiz Gomes dos Santos, 34 anos, negro, pai de cinco filhos, residente em Mogi das Cruzes, está a 11 meses desempregado porque, segundo afirma, move um processo por assédio e racismo contra a empresa Aços Villares S. A., pertencente ao Grupo Gerdau. Na empresa desde 1.997, em 2.005 ele teve que rescindir o contrato de trabalho, depois de ser preterido em promoções por ser negro, segundo lhe foi dito em várias ocasiões pelo então gerente José Roberto Bolota.
O caso foi apresentado nesta terça-feira, à delegada Margaret Barreto, durante a audiência pública convocada para apresentação da Delegacia de Crimes Raciais de S. Paulo, na Assembléia Legislativa, por iniciativa da deputada Rosmary Corrêa (PSDB), da Comissão de Segurança Pública.
A Delegacia, recriada por Decreto do Governador Geraldo Alckmin, substitui o GRADI – Grupo de Repressão aos Delitos da Intolerância – da Secretaria de Segurança Pública. A audiência contou com a presença de autoridades religiosas como a monja Isshin (Ver. Kato Boggs Havens), a Íyá Sandra Medeiros Epega, além de representantes da comunidade judaica, lideranças negras como o ex-secretário Hédio Silva Jr e a advogada Carmen Dora, presidente interina da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP, e da sociedade civil como o advogado Roberto Ciccivizo, da Federação Paulista de Futebol e José Roberto Bellintani, do Instituto São Paulo contra a Violência. A delegada prometeu apurar a denúncia.
O delegado geral Marco Antonio Desgualdo, que fêz parte da mesa dos trabalhos, garantiu que a Polícia paulista está empenhada no combate à intolerância e prometeu que a Delegacia terá todo apoio para fazer seu trabalho.
Anderson, relata assim o drama que vive a quase nove anos: “Me encontro hoje desempregado, minha família já em estado de necessidade, sem perspectivas de uma nova oportunidade de trabalho na minha área, por conta de irresponsabilidade da administração da empresa porque meu então gerente e meu supervisor passaram a me perseguir acusando-me de negro e homossexual. Preciso com urgência de um desfecho disso tudo, pois já não sei mais o que fazer. Ser negro, nesse país, é sofrer e sofrer!”
No processo movido na 2ª Vara Federal do Trabalho de Mogi, a empresa perdeu, sendo condenada a pagar R$ 120 mil reais à título de verbas trabalhistas e danos morais, porém, recorreu. O caso está agora no Tribunal do Trabalho da 2ª Região, em S. Paulo, aguardando despacho da juíza Vera Marta Poliu Dias.
Anderson, que neste período, tornou-se bacharel em Direito, moveu ainda outro processo contra a empresa, que se encontra na 1ª Vara Federal do Trabalho de Mogi aguardando decisão da juíza Cristina de Carvalho Santos.
Desesperado (disse que já mandou curriculum para todo o país, mas acha que está na lista suja da empresa por ter feito a denúncia), Anderson promete levar o caso a Secretária de Justiça, Eunice Prudente e aos órgãos de defesa dos Direitos Humanos.

Da Redacao