S. Paulo – Sem o convite a uma única autoridade ou liderança negra para compor a Mesa foi instalada ontem, 30/03, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, criada pelo Decreto 50.594/2006, em cerimônia que também marcou o lançamento do Anuário do Departamento de Homicídios da Polícia Civil de S. Paulo.
Na platéia do auditório do Palácio da Polícia, na Brigadeiro Tobias, lideranças como o presidente da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios, da OAB/SP, Marco Antonio Zito Alvarenga e a presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, professora Eliza Lucas foram ignorados pelo cerimonial na composição da Mesa.
Também estavam presentes representantes de entidades e organizações negras da sociedade civil, como o diretor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, lideranças do Grupo de Negros e Políticas Públicas da Assembléia, e religiosas ligadas à Federação de Umbanda do Estado de S. Paulo.
A omissão do cerimonial (vista pelos negros presentes como um ato falho revelador), só foi suprida quase ao final do evento quando, por pressão de pessoas presentes, a presidente Elisa Lucas, foi chamada para ocupar um lugar decorativo à Mesa.
Enquanto os negros eram esquecidos, o jornalista Percival de Souza, da TV Record, repórter policial que se tornou uma espécie de porta-voz oficial da Polícia, ocupou a tribuna na cerimônia para os elogios tradicionais à corporação.
A cúpula da Polícia Civil compareceu em peso, chefiada pelo Delegado Geral Marco Antonio Desgualdo, porém o secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu, cuja presença era esperada, não apareceu.
A nova Delegacia substitui o Grupo de Repressão aos Delitos de Intolerância e será chefiada pela delegada Margarette Barreto, que se destacou no comando do GRADI pela sensibilidade e abertura as organizações sociais que combatem o racismo e a intolerância.
De acordo com o Indicador da Desigualdade Racial (IDR) divulgado na semana que passou pela Fundação Seade, a população negra é a principal vítima de crimes raciais no Estado de S. Paulo.

Da Redacao