S. Carlos – O delegado Geraldo de Souza Filho, do 4º DP de São Carlos, deverá instaurar nos próximos dias inquérito para apurar crime de estelionato, em que é acusado João Carlos Cassiano, apontado por lideranças da própria entidade, da qual se autodenomina presidente – a Câmara de Participação e Desenvolvimento dos Afro-Brasileiros – de enganar centenas de pessoas com o golpe do cursinho pré-vestibular fantasma, cobrando taxas de inscrição de até R$ 30,00 sem jamais ter iniciado às aulas. Cerca de 350 estudantes interessados em se preparar para os Vestibulares, na Universidade Federal de S. Carlos foram lesados com o golpe.
Segundo o delegado, o inquérito deve ser instaurado em, no máximo, 10 dias. Depois disso, Cassiano será intimado e se não comparecer, terá pedida sua prisão preventiva. “O caso tem mais de 300 vítimas. Não vou precisar ouvir todas. Mas, quando o intimar, se ele não comparecer, pedirei sua prisão preventiva”, afirmou Souza Filho.
Denúncia
Logo depois da denúncia feita pelos professores Minervina Packer, Karina Olívio de Souza e Luiz Carlos Germano – todos enganados por Cassiano, de quem ouviam tratar-se de iniciativa séria apoiada por nomes e entidades conhecidas do Movimento Negro de S. Paulo, o acusado não mais foi visto na cidade. Sabe-se, porém, que tem se mantido em contato telefônico com o com o coordenador de combate ao racismo da Prefeitura de São Carlos, Paulo César Ramos. Ele estaria negociando uma saída política para que a Prefeitura assuma os alunos.
Estima-se que Cassiano tenha levantado pelo menos R$ 7.100,00. Ele também contratou seis funcionários com salários que variam de R$ 501,00 a R$ 3 mil, alegando que a entidade disporia de uma verba de R$ 286 mil/mensais, cuja origem e procedência jamais explicou. Aos professores do suposto Curso Pré-Vestibular prometeu pagar R$ 60,00 hora/aula.
Para ganhar credibilidade para os pequenos golpes usava os nomes de entidades conhecidas do Movimento Negro, como o Movimento Brasil Afirmativo, a Rede Educafro e até instituições como o SOS Racismo da Assembléia Legislativa e a Fundação Getúlio Vargas.
Antecedentes
Segundo o delegado do 4º DP este não é o primeiro golpe que Cassiano aplica se fazendo passar por liderança negra. Ele já tem outras passagens – uma das quais por apropriação indébita e outra por estelionato. Segundo militantes negros mais antigos, na década de 70, ele se apresentou na cidade como agenciador de um show do grupo Originais do Samba, que tinha entre os seus líderes, o humorista Mussum, já morto. Os ingressos foram vendidos e o show com os Originais nunca aconteceu. Depois disso, ele desapareceu retornando tempos depois.
Desta vez, porém, segundo o delegado, se desaparecer como das outras vezes, ele terá a prisão preventiva pedida à Justiça de S. Carlos e passará a ser um procurado pela Polícia.

Da Redacao