S. Paulo – O delegado Evandro Hilton Leal, do 38º DP, que preside o inquérito para apurar as circunstâncias suspeitas da morte do ajudante de pedreiro Cristiano da Silva, 20 anos (foto), já recolheu material (documentos com assinaturas do ajudante) para realização de exame grafotécnico. Cristiano era negro e foi morto na sequência do assassinato dos motoboys – Eduardo Luiz Pinheiro e Alexandre Menezes – também negros, pela Polícia.
O exame, segundo a mãe, a diarista Maria Cristina da Silva, vai comprovar que o ajudante era canhoto, contradizendo a versão dos policiais militares – Diego Leonardo Silveira e Fábio Roberto Juvenal dos Santos – que o mataram, na madrugada do dia 16 de maio passado, na Estrada Santa Inês, Vila Nova Cachoeirinha, periferia de S. Paulo, sob a alegação de que teria resistido a a abordagem à tiros.
Segundo os dois PMs, o ajudante teria sido morto, quando ao ser abordado na direção de um carro roubado, teria saido atirando “com a mão direita”, versão que é rejeitada pela mãe da vítima. De acordo com a mãe, o rapaz não sabia atirar, não tinha armas e era canhoto.
Audiência Pública
O caso do ajudante deverá ser um dos temas da Audiência Pública convocada pelo Conselho Especial de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), que acontece na próxima quinta-feira, dia 05/08, às 14h, na Secretaria da Justiça de S. Paulo, e que reúnirá dezenas de entidades da sociedade civil e defesa dos direitos humanos para discutir a escalada de violência policial contra jovens pobres e negros.
O rapaz saiu de casa no sábado, dia 15/05, para se divertir com amigos a duas quadras da casa onde morava, na Rua Masso Watanabe, e a mãe só foi encontrá-lo no IML do Hospital das Clínicas, como desconhecido. No IML a orientação é que o caixão deveria ser lacrado e a mãe não pôde ter acesso ao corpo do filho antes de enterrá-lo.
Os exames feitos até agora – tanto a perícia no local do crime, quanto os exame residuográfico (que detecta a existência de pólvora nas mãos quando há disparo de arma de fogo) – deram negativo. “Meu filho era um trabalhador, não tinha passagem e foi executado pela Polícia. Quero Justiça”, afirma a mãe.
Além do Inquérito aberto no 38º DP, há um Inquérito Policial Militar, instaurado no 47º Batalhão da Polícia Militar, ambos até agora não concluídos.

Da Redacao