Aracaju/SE – A professora Maria Euda de Lima, do Curso de Direito da Universidade Tiradentes (UNIT) de Aracaju, Sergipe, foi afastada pela direção da Universidade por ter assumido perante os alunos que é racista. Ela também, de acordo com a denúncia, teria feito comentários depreciativos à população negra.
O fato aconteceu no último dia 25 de abril, por volta das 19h25, quando 60 alunos do 1º período do Curso aguardavam o início dos debates da aula de português. A professora perguntou aos estudantes qual a diferença entre convencer e persuadir. O estudante Rodrigo Vieira de Araújo, 19, respondeu à questão e foi surpreendido pelo exemplo citado pela professora para complementar sua resposta.
Maria Euda, que na página da UNIT na Internet aparece como especialista em Literatura Brasileira formada na Universidade Salgado de Oliveira, do Rio, de acordo com a denúncia, teria afirmado que ninguém conseguiria persuadi-la em relação ao racismo, confessando ser racista reiteradamente.
Rodrigo, o único aluno negro, sentiu-se ofendido pelo tom de voz da professora e retirou-se da sala, dirigindo-se à Coordenação do curso para fazer a denúncia. O estudante reuniu ainda as assinaturas de mais sete colegas que presenciaram o fato.
De acordo com o documento de denúncia do Departamento de Assuntos Acadêmicos da Unit (DAA), a professora ainda expôs o caso da apresentadora Xuxa Meneghel, que namorou Pelé. “Nunca uma galega como Xuxa iria estar verdadeiramente apaixonada por um negro como Pelé”, teria afirmado. Na mesma noite o estudante compareceu a Delegacia Plantonista do Conjunto Augusto Franco e prestou queixa.
O afastamento da professora foi comunicado no dia seguinte aos alunos pelo coordenador do Curso de Direito da UNIT, Ronaldo Vieira de Almeida. O Pró-Reitor Adjunto da Universidade Tiradentes, Dario Arcanjo de Santana divulgou nota informando que a questão está sendo analisada pela assessoria jurídica e pelo Conselho Superior da instituição. “A Unit não compactua com esse tipo de posicionamento ou pronunciamento, pois durante toda a sua existência jamais discriminou nenhum dos seus alunos ou funcionários. Ao contrário, suas ações têm sido de inclusão social. Estamos apurando os fatos e nos posicionaremos no momento certo”, afirmou o pró-reitor.

Da Redacao