Rio – Tomou posse nesta quinta-feira (17/12), na presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL), o professor e escritor carioca, Domício Proença Filho, 79 anos, o segundo negro a ocupar o cargo. O primeiro foi Machado de Assis, seu fundador, em 20 de julho de 1.897. A cerimônia de posse aconteceu no Petit Trianon, no Rio, e reuniu intelectuais, políticos e personalidades do mundo acadêmico.

Ao contrário de Machado, porém, que não se assumia como negro, Proença Filho prometeu envolver a ABL na luta pela “afirmação da identidade cultural da etnia negra e na batalha contra o racismo", e lembrou o abolicionista Joaquim Nabuco.

“Nessa direção, indicia a assunção pela Academia, da tomada de posição para além dos estereótipos e do preconceito étnico ou epidérmico, nesse espaço ainda vigente no comportamento de muitos, veladamente; explicitamente; agressivamente; envergonhadamente; vergonhosamente”, afirmou, depois de lembrar que “os tempos são ásperos, sabemos todos”. “Estamos cientes e conscientes da grave crise econômica literal e etimologicamente vivida pelo país. Somos a diretoria da crise. Árduo será o percurso”, acrescentou.

O novo presidente da ABL saudou os demais integrantes da diretoria, na chapa que é constituída pela primeira vez por duas ex-presidentes – Ana Maria Machado e Nélida Piñon – e ainda pelos ex-secretários Marco Lucchesi e Merval Pereira.

A colegas como o poeta Ferreira Gullar e o jornalista Zuenir Ventura, Proença Filho garantiu que vai zelar pela língua e pela literatura durante o seu mandato e sinalizou que a ABL vai dirigir “sua atuação para outras manifestações da cultura”, num diálogo permanente com a atualidade. “Parodiando e ampliando Machado de Assis, nem tudo tinham os antigos, nem tudo têm os modernos e os pós-modernos: com os haveres de uns e de outros é que se constrói o patrimônio cultural do país”, finalizou.

Quem é 

Autor de 65 livros, entre obras didáticas, de crítica e ensaio, poesia e ficção, Domício Proença Filho viveu sua infância e adolescência na Ilha de Paquetá, onde fêz o curso primário numa escola pública. Depois, cursou o ginasial e o clássico no Colégio Pedro II e se formou em Letras Neolatinas pela Faculdade Nacional de Filosofia, da então Universidade do Brasil, hoje UFRJ.

Professor emérito e titular da cadeira de literatura brasileira na Universidade Federal Fluminense (UFF), hoje aposentado, Proença Filho lecionou ainda em outras universidades cariocas e ministrou cursos de literatura brasileira em universidades estrangeiras. Também produziu programas para o Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação (MEC) e criou projetos culturais, como a Bienal Nestlé de Literatura. Na ABL, ocupa a cadeira 28, para a qual foi eleito em 2006, sucedendo ao acadêmico Oscar Dias Corrêa.

Da Redacao