S. Paulo – A deputada Leci Brandão (PC do B/SP), usou a tribuna da Assembléia Legislativa de S. Paulo na semana passada para protestar contra as mortes de doze pessoas em um intervalo de apenas quatro horas, ocorridas no mês passado, em Campinas. Segundo a deputada a deputada a maioria das vítimas eram negras.

Os assassinatos ocorreram nos bairros Nova América, Recanto do Sol, Parque Universitário, Vida Nova e Jardim Vista Alegre. O Ministério Público do Estado acusa cinco policiais militares de envolvimento nas mortes.

Confira, na íntegra, o pronunciamento da deputada.

Que Deus abençoe e proteja a todos!

Boa tarde senhores deputados, senhoras deputadas e público que nos assiste pela TV Alesp.

Em janeiro de 2014 um fato marcou a história da cidade de Campinas e estarreceu a população do nosso Estado e de todo o país: foram doze homicídios, entre a madrugada dos dias 12 e 13, num intervalo de quatro horas.

As mortes aconteceram nos bairros Nova América, Recanto do Sol, Parque Universitário, Vida Nova e Jardim Vista Alegre.

Dos doze casos, apenas um foi esclarecido, tendo a Justiça de Campinas aceitado, no dia 6 de março de 2014, a denúncia do Ministério Público Estadual, contra cinco policiais militares.

Nesta semana, dia 8, o Comandante do 47º Batalhão de Campinas, o Delegado responsável pelos doze inquéritos policiais, o Delegado Chefe do Interior e o Tenente Coronel Adjunto da Corregedoria da Polícia Militar estiveram na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, comissão da qual sou membro desde que assumi meu mandato nesta Casa.

Essas autoridades estiveram aqui para relatar os fatos, informar sobre as investigações e, sobretudo, explicar como a violência teria atingido esse patamar.

Não temos a intenção de acusar ninguém sobre algo que cabe à Justiça fazê-lo, mas a pergunta que paira na cabeça de todo cidadão é: como chegamos a este ponto? O envolvimento de policiais na morte de doze pessoas.

Um dos meus questionamentos foi se alguma das vítimas era negra. O delegado responsável disse que não sabia responder, mas, diante do genocídio da juventude negra, não temos dúvida com relação a isso.

Acreditamos que com uma realidade de barbárie e violência como esta, a ação do poder público não pode ser individual. É necessário que tenhamos coordenação e comunhão de esforços com um olhar sensível para as causas sociais.

O enfrentamento da violência urbana é uma prioridade, mas isso não seria necessário se, no passado, tivéssemos investido em educação e nas áreas sociais.

Mas ainda é tempo!

Da Redacao