S. Paulo – Depois das declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), ofensivas à população negra no Programa CQC, da TV Bandeirantes, mais um deputado federal, passou a atacar as raízes africanas do Brasil. Em sua página no Twitter, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), afirmou nesta quarta-feira (30/03), que os africanos são descendentes de um “ancestral amaldiçoado por Noé” e que sobre a África repousa maldições como o paganismo, misérias, doenças e a fome.
“O caso do continente africano é sui generis: quase todas as seitas satânicas, de vodu, são oriundas de lá. Essas doenças, como a Aids, são todas provenientes da África”, acrescentou.
O parlamentar (foto) recebeu mais de 211 mil votos nas eleições do ano passado e diz ter 30 mil seguidores no Twitter. “Sou afrodescendente, meu nariz é largo, meu cabelo é crespo. Tenho apoio do líder do movimento dos negros, pastor Albert Silva, de São Paulo”, defendeu-se.
Albert Silva, porém, nega que apóie Feliciano e discorda das opiniões do parlamentar.
“As considerações dele são de foro íntimo. Como pastor negro e militante do movimento negro, eu considero um absurdo essa visão teológica do deputado. Viola o sentido explícito do relato bíblico”, afirma.
Segundo o deputado “os africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé” e na África teria ocorrido “o 1º ato de homossexualismo da história”. “A maldição de Noé sobre Canaã toca seus descendentes direitos, os africanos”, acrescentou.
Tal como Bolsonaro, flagrado, o deputado paulista recuou. Disse que as mensagens foram publicadas por assessores, sem sua aprovação, mas disse não considerar as mensagens racistas.
“Não sou racista. É uma questão teológica. O caso do continente africano é sui generis: quase todas as seitas satânicas, de vodu, são oriundas de lá. Essas doenças, como a Aids, são todas provenientes da África. Tenho raízes negras como todos os brasileiros. Bem como dos índios e também europeus! Rejeito essas calúnias infames”, finalizou, assumindo o papel de vítima e convocando os “cristãos” a despejarem mensagens nas páginas de seus críticos.

Da Redacao