Vitória – A Câmara de Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo rejeitou por 21 votos contra e 17 a favor a proposta de reserva de 52% das vagas – 26% para negros, 25% para alunos da escola pública e 1% para indígenas, apresentada pela Comissão Pró-Cotas, criada especialmente para estudar a implantação do sistema. O tema, porém, voltará a ser discutido porque outras propostas que reservam um percentual menor ainda serão votadas.
Revoltado, um grupo de estudantes que aguardava do lado de fora o resultado da votação, invadiu o prédio da Reitoria e começou a quebrar tudo que encontrou pela frente, acusando os membros da Câmara de racistas. Policiais federais que faziam a segurança, não conseguiram impedir a ação dos manifestantes.
Cerca de duas mil pessoas, entre os quais, grupos contrários às cotas, formados por alunos de escolas particulares que compareceram a manifestação uniformizados. Alunos de escolas públicas e manifestantes mobilizados por entidades do Movimento Negro capixaba estavam em maioria.
O clima de hostilidade recíproca entre os grupos acabou degenerando em espancamento do estudante Juliano Luciano Marinho, do Curso de Biblioteconomia da UFES, que teria provocado os estudantes cotistas e apanhou até ser socorrido por policiais da segurança.
Com o tumulto, a Pró-Reitoria de Graduação da Universidade suspendeu a discussão sobre o modelo de cotas e marcará nova reunião para discutir outros 12 projetos que foram apresentados, entre os quais, alguns que diminuem o percentual de vagas para as cotas e outros que dão mais ênfase a questão social.
Votada a proposta , o modelo do sistema será encaminhado para decisão final do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe).

Da Redacao