O olhar vazio de uma delas buscando algo que ela nem mesmo imagina, mergulhada em desolação, medo, gritos e dor…. todos os ingredientes de uma vida insana que anestesia seus corações que anseiam por encontrar uma saída, mas sair para onde? Sentadas ao chão duro de uma escola, crianças sedentas de informação procuram entre letras, desenhos e rabiscos na parede uma alternativa para enganar a fome.
O sorriso puro e sincero do garoto quase ofusca os olhos marejados de dor e sofrimento, um lampejo de esperança reanima o seu coração e o faz sonhar com um amanhã diferente para seu povo. Os pés descalços amontoam-se numa forma de proteção mútua em uma terra hostil. Já não vêem as marcas deixadas para trás, seus passos são incertos, a segurança fragilizada e a bússola ficou em algum lugar no passado.
Nas mãos as linhas do destino entrelaçadas com o que ainda restou de sua identidade, o lar já não é doce, como fora descrito por alguém cujo nome caira no esquecimento em meio a estafa e o banzu que estão latentes. A terra que dá a vida e alimenta, pode ser dura e árida, marcando a alma do refugiado que tenta firmar-se sobre ela e ainda desconhece que esta mesma terra irá sepultá-lo.
Em Kakuma, uma cidade no interior do continente africano fazem 42 graus sem sombra e sem piedade, apenas calor e o forte ardor que marca a pele. Uma estrada sem fim cercada por milhares de casebres, ao longe uma paisagem inóspita com milhares de pessoas que vivem a espera de um milagre. Fecham os olhos tentando vorazmente mudar suas histórias com uma outra realidade. Mas, qual seria esta realidade?
As marcas que ficam em seus corpos, a dor no olhar, a dureza da vida e de seus cabelos crespos formam as fronteiras invisíveis que aniquilam todas as tentativas de aquisição de um simples lar. As raízes de sua cultura são arrancadas de suas vidas de uma forma brusca, mas imperceptível para a sociedade.
E ao longo de sua existência vai enfraquecendo, minguando suas potencialidades numa queda vertiginosa rumo à letargia. E lá adiante uma outra criança segura um pombo como quem segura o sonho de paz entre os homens e o respeito pela diversidade cultural, é a equidade social presente em todos os continentes formando os seres humanos neste grande lar chamado planeta “Terra”, onde todos serão sempre bem-vindos, não apenas como um numero, mas sim pela sua capacidade de interagir e contribuir com a riqueza e desenvolvimento de um mundo globalizado.
Vale a pena conferir esta exposição e tirar suas próprias conclusões.
Serviço:
DESLOCAMENTOS (Refugiados)
Marie Ange Bordas
de 18 a 15 de maio de 2006
de terça a domingo das 9 as 21 horas
Local: CAIXA CULTURAL
Galerias Neuter Michelon e Octogonal
1o. and, Edificio Sé – Praça da Sé 111
Entrada Franca.

Devair Gonçalves