Dez anos de trabalho não são 10 dias. Com um decênio de informações para a superação da desigualdade social e do racismo que afligem a população negra brasileira, a Afropress, sob a batuta de Dojival Vieira, honra a longa tradição da imprensa negra da qual é tributária e descendente, como os jornais "O Mulato", o "Homem de Cor", o "Exemplo" e "O Progresso", entre tantos outros, invisibilizados pela falha memória dos brasileiros, que fica mais fraca ainda quando se refere à História e Cultura Afrobrasileira.

As sutilezas do racismo moderno – cínico, envergonhado de si porém reincidente, são denunciadas por essa agência afro-étnica de notícias, que assim vai desmascarando falsos ídolos e repudiando violadores, sejam eles pessoas ou instituições.

O trabalho da Afropress já seria relevante somente com tais iniciativas, porém ela vai além, e apresenta análises contextualizadas e propõe avanços, por meio de seu rico corpo de colaboradores. Tenho muito orgulho de ser colunista desta máquina da inteligência afrobrasileira.

Vamos refletindo e questionando, sem nos subordinar à tutela de Estados, Governos, Empresas, Organizações. Nossa palavra tem valor pela capacidade de interpretar e desafiar a crua realidade das pessoas negras no Brasil, e não pelos nossos títulos ou eventuais entidades que representamos.

Acho – com determinação – que nós, e aquelas e aqueles que nos precederam nesta caminhada intelectual e militante, vamos estimulando e quiçá produzindo micro-revoluções ao longo desta estrada: contra o senso comum, o silenciamento e a negação próprios do racismo.

Parabéns, Afropress! Axé!

Jaqueline Gomes de Jesus